Mover: o que muda no preço e na tecnologia do seu carro até 2030

O governo federal acaba de regulamentar aspectos essenciais da atual política automotiva, o Mover (Mobilidade Verde e Inovação). Até 2030, os carros vendidos no Brasil terão de apresentar melhora de 8% a 12% na eficiência energética — aspecto que leva em conta o consumo de combustível e as emissões de dióxido de carbono.

O cálculo consolidado é da Bright Consulting, já que o modelo desenvolvido pelo governo é complexo justamente para englobar as diferentes tecnologias de combustão oferecidas no país. A política automotiva leva em conta veículos a combustão, carros flex, movidos puramente a etanol e, ainda, modelos com diferentes níveis de eletrificação.

Por um lado, o Mover exige evolução tecnológica, o que pode gerar mais custos para as montadoras e um preço mais alto para o consumidor. Por outro, o governo oferece descontos de IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) conforme as empresas alcançam as metas de eficiência. Isso pode resultar em manutenção ou, quem sabe, redução dos preços.

A seguir, o Jornal do Carro decifra os principais pontos do Mover e revela como o programa pode mudar o veículo que você dirige:

1- Impacto no preço do carro

Murilo Briganti, COO da Bright Consulting, avalia que ainda é cedo para prever se os carros vão ficar mais caros. No entanto, modelos que atenderem plenamente ao programa devem receber mais incentivos tributários, com redução de IPI, tornando-se mais competitivos.

“Carros mais eficientes e tecnologicamente alinhados tendem a ficar relativamente mais competitivos, enquanto modelos menos eficientes podem encarecer ou perder espaço”, observa.

Além disso, o acirramento da competição, com a chegada de novas marcas, reduz a margem para aumentos: pela primeira vez em cinco anos, o tíquete médio dos veículos novos subiu menos que a inflação.

2- Eficiência energética acumulada chega a 45%

Desde 2012, com o Inovar-Auto, a indústria brasileira segue metas de eficiência. Com o Mover, a melhoria acumulada deve chegar a 45% em 18 anos (2012-2030). Para quem dirige, isso se traduz em automóveis que andam mais gastando menos energia. Além da economia no bolso, o resultado é uma redução consistente na emissão de poluentes.

3- Brasil pioneiro: do “Poço à Roda”

O Brasil é pioneiro ao criar um programa que engloba diversas tecnologias de propulsão sob o cálculo “do poço à roda”. A conta considera tanto o consumo e as emissões do carro quanto a pegada de carbono da geração da energia (seja etanol, gasolina ou eletricidade). Isso evita distorções, como considerar “limpo” um carro elétrico carregado por energia gerada em usinas de carvão.

4- Salto em segurança e tecnologias ADAS

Além da eficiência, o Mover impõe a adoção de sistemas mais modernos de segurança. Segundo Marcus Vinícius Aguiar, presidente da AEA – Associação de Engenharia Automotiva, o consumidor encontrará veículos com tecnologias de assistência ao motorista (ADAS) de série em mais categorias.

Itens como frenagem automática e alerta de colisão deixam de ser luxo para virar requisito de projeto, elevando o padrão de proteção nas ruas brasileiras.

5- O que o consumidor pode esperar?

Para os especialistas, o Mover é positivo. As fabricantes precisarão investir em eletrificação e motores mais eficientes para alcançar as metas. Até 2030, o brasileiro encontrará nas lojas uma oferta mais sofisticada, com integração entre sistemas elétricos e eletrônicos e melhor controle de energia.

Fonte: Jornal do Carro
Crédito Imagem: Canva

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