O fortalecimento do sistema hidroviário brasileiro é uma agenda estratégica para a segurança energética, a competitividade logística e a redução de emissões, ao viabilizar o transporte anual de cerca de 1,2 milhão de m³ de combustíveis e biocombustíveis no corredor Miritituba–Santarém — sendo 840 mil m³ de derivados que chegam a Miritituba e 360 mil m³ de biocombustíveis que saem da região. Este volume equivale a 20 mil viagens de caminhões por ano que deixam de circular nas rodovias.
O impedimento do uso da hidrovia implicaria a substituição do transporte fluvial pelo modal rodoviário, com aumento expressivo do risco de acidentes em razão das condições das estradas locais.
O transporte hidroviário emite até 73% menos CO2 que o rodoviário e 36% menos que o ferroviário, de acordo com estudo da Future Climate Group.
A prioridade do modal hidroviário, inclusive em outras regiões do Brasil, permite reduzir custos logísticos, aumentar a confiabilidade do abastecimento na Região Norte e mitigar riscos recorrentes de desabastecimento associados à dependência rodoviária, além de contribuir para a descarbonização do transporte ao apresentar menor emissão por tonelada-quilômetro.
Para o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), a modernização e a concessão de hidrovias estruturantes devem ser tratadas como política pública prioritária, com metas claras de navegabilidade, segurança operacional e continuidade do serviço, sempre com respeito à regulamentação ambiental vigente e proteção aos povos originários. O IBP ressalta que, independentemente do regime jurídico, é fundamental que as vias hídricas da Amazônia sejam aprimoradas para viabilizar o transporte eficiente e seguro de bens e serviços vitais para o bem-estar da sociedade local e para economia da região.
O modal hidroviário oferece elevada capacidade de escoamento de cargas com menor custo operacional e menor impacto ambiental, além de integrar corredores multimodais que conectam produção, refino, distribuição e exportação. Estudos da ANTAQ indicam que hidrovias bem estruturadas ampliam a eficiência logística, reduzem congestionamentos rodoviários, geram emprego e renda regional e exigem investimentos inferiores aos necessários para a construção de novas rodovias ou ferrovias.
A experiência recente na Região Norte demonstra que a ausência de manutenção e gestão dos canais navegáveis aumenta o risco de encalhes, interrupções logísticas e restrições operacionais, com impactos diretos sobre o abastecimento de combustíveis, o custo do transporte e as emissões de CO2.
A concessão hidroviária, quando acompanhada de governança, dragagem, sinalização, gestão de tráfego e monitoramento ambiental permanentes, permite garantir previsibilidade operacional e reduzir vulnerabilidades sistêmicas, preservando o acesso de ribeirinhos e comunidades tradicionais, que permanecem isentos de tarifas, concentradas apenas nos grandes usuários de carga.
Além de seus benefícios logísticos, o modal hidroviário contribui para a agenda de transição energética ao reduzir emissões e apoiar o transporte eficiente de biocombustíveis e derivados.