O Centro de Estudos de Petróleo e Energia (CEPETRO), da Unicamp, terá papel estratégico no Centro de Tecnologias para Captura e Armazenamento de Carbono Biogênico (CTCCSBio), iniciativa liderada pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e coordenada pelo professor Bruno Souza Carmo. O projeto pretende viabilizar a primeira usina do Estado de São Paulo dedicada à captura e ao armazenamento geológico do dióxido de carbono (CO₂) gerado na produção de etanol de cana-de-açúcar. A iniciativa reúne universidades, governo e setor produtivo para desenvolver uma solução capaz de transformar o etanol paulista em um combustível potencialmente carbono negativo.
A contribuição do CEPETRO estará concentrada em uma das etapas mais críticas do processo: o monitoramento do CO₂ após sua injeção em formações geológicas profundas. A atividade será coordenada pela pesquisadora Alessandra Davolio Gomes, que integra o grupo de pesquisadores principais do projeto e lidera o UNI4D, laboratório especializado em sísmica 4D criado recentemente no CEPETRO.
A sísmica 4D é uma tecnologia capaz de acompanhar, ao longo do tempo, as mudanças que ocorrem no interior do subsolo. Ao comparar imagens obtidas em diferentes momentos, os pesquisadores conseguem observar o deslocamento de fluidos e identificar alterações que não seriam perceptíveis em análises convencionais. Essa capacidade faz da técnica uma das principais ferramentas utilizadas internacionalmente para verificar se o CO₂ permanece armazenado nas regiões previstas e para detectar eventuais desvios em sua trajetória.
A participação do CEPETRO no CTCCSBio está diretamente relacionada à experiência acumulada pela equipe do UNI4D. Formalizado neste ano, o laboratório consolidou uma linha de pesquisa desenvolvida há mais de uma década na Unicamp e que combina geofísica, engenharia de reservatórios e ciência computacional para monitorar reservatórios subterrâneos por meio da sísmica 4D. Além da aplicação tradicional na indústria de petróleo e gás, a tecnologia tornou-se uma ferramenta central para projetos de captura e armazenamento geológico de carbono (CCS), considerados fundamentais para as estratégias globais de descarbonização.
“Em projetos de CCS, a sísmica 4D é uma das principais ferramentas para demonstrar que o CO₂ está permanecendo no local planejado e para identificar possíveis surpresas geológicas que não haviam sido detectadas anteriormente”, afirma Alessandra Davolio Gomes.
O novo centro terá duração prevista de cinco anos e investimento estimado em R$ 30 milhões. A primeira fase será dedicada à identificação de áreas adequadas para instalação da usina e do reservatório geológico, considerando aspectos técnicos, econômicos, ambientais e sociais. Em seguida, o projeto deverá avançar para a implantação e operação da estrutura. Além da Unicamp e da USP, participam da iniciativa pesquisadores do ITA, Unesp e outras instituições.
Para Alessandra Davolio Gomes, o projeto representa uma oportunidade de aplicar competências desenvolvidas ao longo de anos de pesquisa em um dos temas mais relevantes da transição energética. “O monitoramento é uma etapa fundamental para que a tecnologia seja aceita em larga escala. É ele que permite demonstrar, com base em evidências científicas, que o CO₂ permanece armazenado de forma segura e permanente”, destaca.
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