Por Filipe Arges, fundador da Menzoil.
A eletrificação da mobilidade avança em ritmo acelerado no Brasil. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o mercado de veículos eletrificados leves encerrou 2025 com 223.912 unidades vendidas, crescimento de 26% em relação ao ano anterior e novo recorde da série histórica. E, em 2026, a expansão ganhou ainda mais velocidade: dados da Bright Consulting mostram que os eletrificados representaram 19,2% dos emplacamentos de veículos leves na primeira quinzena de maio, mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior.
Diante desse avanço, é comum que o debate sobre mobilidade se concentre em temas como baterias, infraestrutura de recarga, autonomia e descarbonização. Mas a composição de elementos veiculares é mais complexa e ocorre em um contexto no qual diferentes tecnologias convivem simultaneamente para a saúde e manutenção automotiva de uma frota cada vez mais diversa. E isso vale também para os lubrificantes.
O papel da lubrificação na rota da eletrificação veicular
Nesse sentido, híbridos convencionais, híbridos plug-in, modelos flex eletrificados, mild hybrids e outras arquiteturas coexistem com os veículos a combustão e, em grande parte dessas configurações, o motor térmico continua exercendo papel fundamental no funcionamento do veículo.
A diferença é que esse motor passa a operar sob condições distintas das encontradas em veículos convencionais. Nos híbridos – vale citar que os híbridos plug-in responderam por 45,3% das vendas de elétricos no Brasil em 2025, com mais de 101 mil unidades emplacadas –, o sistema alterna constantemente entre propulsão elétrica e combustão.
Assim, o motor pode permanecer desligado durante determinados períodos e ser acionado novamente diversas vezes ao longo de um mesmo trajeto. Esse comportamento cria ciclos de funcionamento mais complexos, com partidas frequentes, variações térmicas e demandas específicas de proteção.
Nessa infraestrutura, a lubrificação continua sendo uma variável central para a proteção do motor. A capacidade do lubrificante de reduzir atrito, controlar desgaste, proteger componentes durante partidas frequentes e contribuir para a eficiência energética ganha ainda mais relevância.
Essa mudança ajuda a compreender por que a evolução da mobilidade não reduz a importância do setor de lubrificantes. Pelo contrário. À medida que a tecnologia embarcada nos veículos se torna mais sofisticada, cresce também a necessidade de produtos desenvolvidos para atender especificações cada vez mais rigorosas.
Ao mesmo tempo, a diversidade tecnológica da frota impõe um desafio adicional para toda a cadeia automotiva. Oficinas, distribuidores, varejistas e profissionais de manutenção passam a lidar com um ecossistema muito mais complexo do que aquele existente há poucos anos.
Se antes a escolha do lubrificante estava associada, dentre outros pontos, à viscosidade recomendada pelo fabricante, agora entram em cena variáveis relacionadas ao tipo de eletrificação, ao perfil de uso do veículo, às características do sistema e às exigências específicas de cada modelo automotivo.
Isso significa que a recomendação técnica ganha relevância estratégica e o desafio já não é apenas disponibilizar o produto correto, mas compreender as características de cada motor para orientar adequadamente sua utilização.
Conclusão: o futuro da mobilidade
A evolução da mobilidade costuma ser apresentada como uma disputa entre tecnologias antigas e novas. Na prática, o cenário é mais complexo. O setor automotivo vive um período de coexistência entre diferentes sistemas de propulsão, cada um com necessidades específicas de manutenção.
Nesse ambiente, a inovação também se manifesta nos produtos, nas especificações e no conhecimento necessário para garantir que essas tecnologias entreguem o desempenho esperado ao longo do tempo. Afinal de contas, a eletrificação amplia as possibilidades da mobilidade, mas também reforça a importância de decisões técnicas bem fundamentadas.
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