O transporte rodoviário de cargas, espinha dorsal da economia brasileira e responsável por cerca de 40% das emissões de CO2 no setor de transportes, vive um ponto de inflexão. Em 2026, a descarbonização deixou de ser um item acessório nos relatórios de sustentabilidade para se tornar uma questão de sobrevivência financeira. Com a volatilidade dos preços dos combustíveis e metas ambientais mais rígidas, o mercado assiste à ascensão da “Logística de Precisão”.
Essa nova era é marcada pela migração do foco da simples entrega para a redução absoluta de desperdício. No setor, grandes players já colhem resultados ao tratar a inteligência de dados como o principal aliado do motor. A transportadora rodoviária de cargas gaúcha, Buzin, registrou uma economia de mais de 1.19 milhões de litros de diesel entre os meses de janeiro e dezembro de 2025. O impacto ambiental dessa eficiência é significativo: evitou-se a emissão de aproximadamente 3 mil toneladas de CO2 em um ano. Em 2024, a economia tinha sido de 987 mil litros e 2,5 mil toneladas de CO2.
“O mercado amadureceu para entender que o ganho ambiental e o ganho econômico caminham juntos. Ao otimizar cada rota, entregamos uma logística mais limpa, o que hoje é uma exigência dos grandes contratantes”, analisa o CEO da Buzin, Leonardo Busin, ressaltando que o resultado reflete uma mudança de cultura no setor.
A Inteligência por trás dos dados
A viabilização desses indicadores passa por ecossistemas de tecnologia que conectam a estrada ao escritório. Ferramentas de monitoramento e análise de performance têm sido o divisor de águas entre empresas que estagnaram e as que conseguem escalar com sustentabilidade.
O diretor comercial da GoBrax, Ronaldo Lemes, empresa de soluções de inteligência para o setor, destaca que o sucesso de operações como a da Buzin reside na capacidade de agir sobre dados em tempo real. “O transporte de cargas no Brasil sempre conviveu com altos índices de ociosidade e rotas ineficientes. Nesse sentido, a tecnologia está aí para dar visibilidade a esses gargalos, permitindo que a gestão transforme informação em redução de emissões e economia real”, pontua Lemes.
O cenário aponta para um futuro onde a competitividade das transportadoras será medida pela sua pegada de carbono. Com o Brasil emitindo anualmente cerca de 270 milhões de toneladas de CO2 no transporte, casos de sucesso que unem operação robusta e tecnologia de ponta tornam-se o benchmark para um setor que busca, definitivamente, o caminho do baixo carbono.
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