Etanol de milho brasileiro ganha o mercado internacional

A recente definição, pela Organização Marítima Internacional (IMO), de um valor de intensidade de carbono para o etanol brasileiro produzido a partir do milho de segunda safra representa mais do que um reconhecimento técnico do biocombustível. O movimento evidencia a capacidade do Brasil de desenvolver diferentes soluções energéticas competitivas e amplia as perspectivas de inserção do país na transição energética global. O valor estabelecido pela IMO, de 20,8 gCO₂e/MJ, é significativamente inferior à intensidade de carbono de combustíveis fósseis utilizados atualmente no transporte marítimo, abrindo novas possibilidades para o etanol brasileiro em mercados e aplicações internacionais.

Para Carlos Eduardo Silva, diretor da Excel, empresa líder em gerenciamento de combustível e gestão de frotas, o principal impacto desse avanço está na demonstração de que a diversidade da matriz energética pode se transformar em uma vantagem competitiva para o Brasil. “O reconhecimento da IMO mostra que o Brasil não precisa depender de uma única rota para avançar na transição energética. Temos diferentes alternativas renováveis, com características e aplicações distintas, e essa diversidade nos dá uma vantagem competitiva importante diante de um mercado global que busca reduzir emissões sem abrir mão de escala, eficiência e segurança energética”, afirma.

O etanol de milho vem ganhando espaço na matriz brasileira, especialmente com a expansão da produção no Centro-Oeste. Ao lado do etanol de cana, o combustível amplia a capacidade produtiva do país, contribui para a diversificação da oferta e cria novas oportunidades de integração entre o agronegócio, a indústria e o setor energético.

Segundo o executivo, essa combinação de diferentes fontes é um dos principais ativos estratégicos do país. “A força do Brasil está justamente na possibilidade de combinar diferentes soluções. Etanol de cana e de milho, biodiesel, biometano e outras fontes podem ocupar espaços complementares dentro de uma matriz cada vez mais diversificada. Isso torna o sistema mais robusto, reduz vulnerabilidades e aumenta nossa capacidade de responder às transformações do mercado energético internacional”, explica.

Para Carlos, a evolução da matriz energética também exige que a infraestrutura e os sistemas de gestão acompanhem a maior complexidade das operações. À medida que diferentes combustíveis passam a coexistir em maior escala, aumentam as necessidades de controle, rastreabilidade, eficiência logística e inteligência na tomada de decisões.

“Uma matriz mais diversificada também é uma matriz mais complexa. É preciso ter capacidade de monitorar diferentes operações, controlar estoques, reduzir perdas e garantir eficiência em cada etapa. Nesse contexto, dados e tecnologia deixam de ser apenas ferramentas operacionais e passam a contribuir diretamente para a competitividade energética do país”, destaca.

O diretor da Excel ressalta ainda que a transição energética não deve ser encarada como uma substituição linear dos combustíveis fósseis por uma única alternativa renovável. Para ele, a vantagem brasileira está justamente na capacidade de desenvolver e integrar diferentes rotas.

“A transição energética não será definida por um único combustível ou por uma única tecnologia. Ela será construída pela capacidade de combinar soluções de maneira eficiente, competitiva e com menor intensidade de carbono. O Brasil reúne recursos naturais, conhecimento, capacidade produtiva e tecnologia para fazer isso, e transformar essa diversidade em uma matriz energética mais robusta pode ser uma das nossas maiores vantagens competitivas”, afirma.

Nesse cenário, o reconhecimento internacional do etanol de milho reforça não apenas o potencial de exportação do biocombustível, mas também a importância de preparar toda a cadeia energética brasileira para uma realidade de maior diversidade. Investimentos em infraestrutura, logística, conectividade e gestão serão fundamentais para transformar o potencial produtivo do país em competitividade de longo prazo.

“Mais do que discutir qual será o combustível do futuro, precisamos estar preparados para gerir com inteligência uma matriz energética cada vez mais diversa. Quanto mais eficiente for a forma como produzimos, armazenamos, distribuímos e consumimos energia, maior será nossa capacidade de transformar essa diversidade em segurança energética, competitividade e novas oportunidades para o Brasil”, conclui.

 

Crédito Imagem: Freepik

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