O mercado brasileiro de lubrificantes entrou no radar de representantes da indústria e do governo nesta quarta-feira (9), durante a abertura da IV Feira de Negócios FEILUB e do X Congresso Internacional de Lubrificantes e Graxas, no Expo Dom Pedro, em Campinas (SP).
Realizado ao longo de dois dias, o evento reúne empresas, entidades e especialistas para discutir o momento do setor, que mantém trajetória de crescimento, mas também enfrenta desafios relacionados à qualidade dos produtos, concorrência irregular, custos de matérias-primas e transformação tecnológica.
Na cerimônia de abertura, o diretor-presidente do Simepetro, Nilson Morsch, destacou a importância da representação do segmento e chamou atenção para os reflexos do conflito entre Irã e Estados Unidos sobre a cadeia de abastecimento. Segundo ele, a instabilidade internacional aumenta a pressão sobre matérias-primas e custos e contribui para a volatilidade dos preços.
Apesar do cenário, Morsch demonstrou otimismo em relação ao futuro do mercado. “As crises passam, os mercados encontram novos caminhos”, afirmou. O dirigente também reforçou o compromisso do Simepetro em ampliar sua representatividade e contribuir para a criação de um ambiente favorável ao desenvolvimento das empresas brasileiras.
A fiscalização do mercado de lubrificantes foi outro ponto de destaque na abertura. O diretor da ANP, Daniel Maia Vieira, apresentou um panorama do segmento, que conta atualmente com mais de 160 produtores, além de uma ampla rede de coletores, refinarias e importadores.
De acordo com Vieira, o monitoramento realizado pela agência em todo o país aponta mais de 95% de conformidade dos lubrificantes comercializados. Ao mesmo tempo, a agência tem intensificado o combate à comercialização de produtos irregulares. Em 2025, foram apreendidos aproximadamente 120 mil litros de lubrificantes fora das especificações. Nos primeiros oito meses de 2026, o volume já ultrapassou 310 mil litros.
Na avaliação do diretor, a fiscalização deve ser entendida como uma aliada do mercado regular, ao combater a concorrência desleal e contribuir para a proteção do consumidor.
A logística reversa de óleos lubrificantes usados e contaminados também foi destacada. Segundo a ANP, a coleta já alcança mais de 80% dos municípios brasileiros. A meta nacional para 2026 é de 50%, enquanto o volume coletado já supera 376 mil metros cúbicos.
O secretário nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Renato Cabral Dutra, lembrou que a política pública de logística reversa completa 20 anos em 2026. Segundo ele, o sistema apresentou uma evolução significativa desde sua implantação, quando a coleta alcançava cerca de 30%.
Para o próximo ciclo quadrienal de metas, que será construído ao longo deste ano, está prevista a realização de Análise de Impacto Regulatório (AIR), mantendo a metodologia adotada no ciclo atual.
Dutra também apresentou números que mostram o crescimento do mercado de lubrificantes. Entre 2022 e 2025, o setor avançou, em média, 2,2% ao ano. Já entre janeiro e julho de 2026, o crescimento chegou a 3,6%.
A expansão da frota circulante, que cresce entre 2,7% e 3% ao ano, contribui para sustentar a demanda. O segmento industrial também representa uma importante frente para o mercado. Mais de 55% das máquinas industriais brasileiras têm mais de dez anos, cenário que aumenta a necessidade de manutenção e utilização de lubrificantes.
A posição do Brasil no mercado internacional também foi ressaltada durante a cerimônia. O diretor executivo de Downstream do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Carlos Orlando Enrique da Silva, destacou que o país está entre os maiores mercados mundiais de lubrificantes, atrás apenas de Estados Unidos, China e Japão.
Na produção de graxas, a estimativa apresentada fica entre 60 mil e 80 mil toneladas, colocando o Brasil entre os principais produtores globais.
Silva também chamou atenção para os problemas de qualidade identificados nas fiscalizações. Entre as principais não-conformidades estão produtos com viscosidade fora do padrão e quantidade insuficiente de pacotes de aditivos.
Enquanto os produtos registrados apresentam aproximadamente 95% de conformidade, entre os não registrados o índice cai para 88%, o que representa 12% de não-conformidades.
Outro tema abordado durante a abertura foi a transformação provocada pela transição energética. Para os representantes do setor, o avanço dos veículos eletrificados e dos biocombustíveis não representa o fim do mercado de lubrificantes, mas uma mudança nas características dos produtos e em suas aplicações.
Nesse cenário, os chamados E-fluids ganham espaço e deverão exigir adaptação da indústria, investimentos em desenvolvimento e maior capacitação técnica. A avaliação apresentada no evento é de que o setor precisará acompanhar a evolução tecnológica sem deixar de lado questões como qualidade, fiscalização, combate à irregularidade e proteção ao consumidor.
Silva também defendeu uma participação mais efetiva do segmento de lubrificantes nas discussões de políticas públicas, citando, entre outros temas, os protocolos de testes relacionados aos combustíveis B20 e B25.
Além da programação técnica, a FEILUB reúne empresas e profissionais em uma área dedicada à exposição, relacionamento e geração de negócios.
Matéria por redação Portal Petrus