O mercado europeu de lubrificantes foi tema da palestra apresentada por Mattia Adani, presidente da UEIL (Union of the European Lubricants Industry), durante o X Congresso Internacional de Lubrificantes e Graxas.
Representante da indústria europeia de lubrificantes, especialmente dos fabricantes independentes, Adani apresentou um panorama do mercado e dos principais fatores que deverão influenciar o setor nos próximos anos. A UEIL é uma associação formada por outras associações e atua tanto na construção de uma comunidade empresarial quanto na interlocução com instituições e órgãos reguladores.
Segundo o executivo, a Ásia responde por quase metade do mercado mundial de lubrificantes e continua em crescimento, enquanto a Europa representa cerca de 16%, em um mercado estimado em aproximadamente 6 bilhões de litros. A América Latina responde por cerca de 3 bilhões de litros, aproximadamente metade do mercado europeu, enquanto o Brasil representa cerca de metade do volume latino-americano.
Adani destacou que o setor possui importância estratégica para a economia e para a indústria. O uso de lubrificantes acompanha a própria evolução da civilização e permanece essencial mesmo diante do avanço da automação e da robótica. Para o executivo, o consumo de lubrificantes industriais também pode ser considerado um indicador do nível de atividade da indústria.
Entre as principais forças que estão transformando o setor estão a descarbonização, a busca por independência estratégica, a eletrificação da mobilidade, novas tecnologias, a geopolítica, a globalização e a regulamentação.
A eletrificação, porém, tende a avançar em ritmo mais lento do que as projeções iniciais indicavam. Ao mesmo tempo, a Europa enfrenta uma crise de oferta de óleos básicos do Grupo III, especialmente no segmento automotivo. Segundo Adani, a capacidade disponível na Ásia, principalmente na China, está em grande parte direcionada ao consumo interno.
Outro ponto abordado foi o chamado desacoplamento entre os preços dos óleos básicos e do petróleo bruto. De acordo com o executivo, esse fenômeno ocorreu em duas ocasiões, sendo a mais recente após a pandemia de Covid-19. O cenário aumenta a preocupação com uma possível perda permanente de qualidade e com a redução do uso de óleos de maior desempenho.
A regulação europeia também foi apontada como um fator de impacto para a indústria global. Adani destacou que a Europa trabalha com padrões ambientais e sociais elevados, mas enfrenta o desafio de manter competitividade em um mercado global.
Entre as mudanças em andamento está a criação de uma classificação própria para óleos de motor na Europa, diferente dos padrões adotados em outras regiões. A medida poderá representar um desafio para empresas brasileiras interessadas em exportar para o mercado europeu, mas também abrir oportunidades para companhias que utilizam a Europa como plataforma para alcançar outros mercados, como o africano.
O executivo também avaliou que as mudanças regulatórias estão contribuindo para tornar as formulações de lubrificantes cada vez mais diferentes entre as regiões, aumentando a complexidade para empresas que atuam globalmente.
Apesar dos desafios, Adani apresentou uma perspectiva positiva para o futuro. Para ele, a indústria de lubrificantes não está próxima de desaparecer, mas precisa acompanhar as transformações econômicas, tecnológicas e regulatórias.
Ao encerrar a apresentação, o presidente da UEIL reforçou que os lubrificantes estão presentes em praticamente todos os setores da economia e devem ser encarados como parte da solução diante dos desafios industriais e ambientais. A mensagem central foi de que o setor precisa abraçar as mudanças para não ser ultrapassado por elas, mantendo sua relevância em uma economia cada vez mais tecnológica e sustentável.
Matéria por redação Portal Petrus