FETCESP alerta para possível elevação do diesel com crescente tensão no Oriente Médio

A escalada das tensões no Oriente Médio impulsionou a instabilidade no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passam cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo, de acordo com a U.S. Energy Information Administration (EIA). O cenário reacendeu o alerta nos mercados e já provoca reflexos relevantes na economia global. Segundo a Reuters, a possibilidade de interrupções no fluxo internacional da commodity já elevou o preço do barril em 13%, que no dia 05 de março já havia superado o valor de US$ 83.

No Brasil, os efeitos começam a se materializar na pressão sobre os preços da gasolina e do diesel nas refinarias, além do aumento dos custos logísticos decorrentes de desvios de rotas marítimas e do encarecimento do frete internacional. O contexto amplia as preocupações com a inflação e com os impactos sobre setores estratégicos, como o transporte rodoviário de cargas (TRC), que dependem diretamente da estabilidade no preço dos combustíveis para manter competitividade e previsibilidade operacional.

Para Carlos Panzan, presidente da Federação das Empresas de Transportes de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP), o cenário é preocupante para a região, que exerce papel estratégico na logística nacional. “O TRC paulista já opera com margens pressionadas e enfrenta desafios estruturais. Quando há uma alta expressiva no combustível, as empresas precisam renegociar contratos, rever tabelas de frete e lidar com um ambiente de insegurança econômica.”

O diesel representa uma das maiores parcelas do custo operacional das transportadoras. Qualquer aumento abrupto impacta imediatamente as margens das empresas, compromete o equilíbrio financeiro do setor e impacta toda a cadeia produtiva. Quando o custo do frete sobe, há reflexos sobre alimentos, medicamentos, insumos industriais e bens de consumo em geral, ampliando a pressão inflacionária.

A imprevisibilidade dos preços dificulta a formação de contratos de médio e longo prazo, prejudica investimentos em renovação de frota, tecnologia e sustentabilidade e reduz a capacidade das transportadoras de absorver novos aumentos sem repassar parte desse impacto ao mercado. Em um setor que opera com alta concorrência e margens reduzidas, a falta de estabilidade agrava ainda mais os riscos operacionais e financeiros.

“Defendemos previsibilidade e equilíbrio na política de preços, para que o setor possa continuar cumprindo seu papel essencial na economia paulista e brasileira. O TRC é responsável por manter o abastecimento das cidades, e precisamos de um ambiente estável para garantir competitividade, geração de empregos e continuidade dos serviços”, ressalta Panzan.

 

Crédito Imagem: Divulgação

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