Óleo e gás combinam risco elevado e boas práticas de SST

Reconhecido como um dos segmentos mais complexos da economia, o setor de óleo e gás também se destaca como referência em gestão de Saúde e Segurança do Trabalho (SST), combinando elevado risco operacional com altos níveis de organização, investimento e maturidade. A avaliação é da diretora de Saúde Corporativa e Segurança do Trabalho da RHMED, Márcia Fiori, que aponta o setor como um modelo para outras indústrias.

De acordo com dados da International Association of Oil & Gas Producers (IOGP), a taxa global de incidentes registráveis (TRIR) na indústria gira em torno de 0,8 por milhão de horas trabalhadas, um dos níveis mais baixos entre setores industriais de alto risco. Já a taxa de fatalidades está na faixa de 0,02 a 0,03 por milhão de horas, refletindo avanços consistentes na prevenção.

No Brasil, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) acompanha os indicadores de segurança, especialmente nas operações offshore, e os relatórios indicam que o número de grandes acidentes tem se mantido relativamente estável, evidenciando o amadurecimento das práticas de gestão de riscos e o fortalecimento das exigências regulatórias.

Entre os principais desafios do setor está a exposição a agentes químicos. Nas operações, trabalhadores lidam com hidrocarbonetos, incluindo o benzeno, solventes orgânicos, gases tóxicos, óleos minerais, fluidos de perfuração e produtos de combustão. Essas exposições estão associadas a doenças respiratórias, alterações hematológicas, dermatoses ocupacionais, alterações neurológicas, comprometimentos hepáticos e renais, além de neoplasias ocupacionais.

“A principal preocupação técnica do setor está no controle eficaz dessas exposições, por meio de avaliação ambiental contínua, monitoramento biológico e integração entre programas como o PGR e o PCMSO”, explica a médica Márcia Fiori.

Além dos riscos físicos e químicos, o setor também enfrenta desafios relevantes relacionados à saúde mental. O regime de trabalho embarcado, por exemplo, envolve isolamento social prolongado, jornadas extensas, trabalho em turnos e alterações no ciclo sono-vigília. Esses fatores podem levar ao desenvolvimento de estresse ocupacional crônico, ansiedade, sintomas depressivos e fadiga física e mental. Apesar desse cenário desafiador, o setor de óleo e gás se diferencia por sua robusta cultura de segurança.

“É um setor que possui elevado grau de maturidade na sua gestão SST e consegue equilibrar risco e controle de forma bastante eficiente. A integração entre segurança, saúde e meio ambiente é um dos grandes diferenciais, o que contribui diretamente para a proteção dos trabalhadores”, destaca a especialista.

 

Crédito Imagem: Shutterstock

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