Em um cenário em que eficiência operacional e controle de custos se tornam cada vez mais estratégicos no agronegócio, otimizar o consumo de combustível deixou de ser apenas uma questão operacional e passou a representar uma vantagem competitiva no campo. Segundo estudo de mecanização agrícola da Fundação ABC, o diesel pode representar entre 20% e 35% do custo operacional das máquinas agrícolas, dependendo do tipo de atividade e do nível de mecanização da propriedade. Por isso, pequenas perdas ao longo da safra, muitas vezes imperceptíveis na rotina, podem gerar impactos significativos no resultado da operação.
De acordo com Arley Barbosa, Gerente de Engenharia e Sucesso do Cliente da Promax Bardahl, marca especializada no desenvolvimento de aditivos e lubrificantes automotivos, muitos produtores associam o aumento do consumo apenas à intensidade do trabalho durante a safra, mas, em diversos casos, o problema está relacionado ao acúmulo de depósitos de carbono nos injetores ou ao uso de combustível de baixa qualidade. “Isso compromete a eficiência da combustão e faz com que o motor consuma mais para entregar o mesmo desempenho”, explica.
Entre as medidas que ajudam a recuperar a eficiência das máquinas está a limpeza periódica do sistema de injeção, realizada por meio de manutenção preventiva e do uso de aditivos específicos para diesel e biodiesel. Esses produtos auxiliam na remoção de depósitos acumulados nos componentes do motor, melhoram a qualidade da combustão e contribuem para um funcionamento mais eficiente das máquinas, reduzindo o consumo excessivo de combustível e as emissões de poluentes. Além disso, também ajudam na proteção do sistema contra a proliferação de bactérias e fungos, problemas comuns em tanques de armazenamento no campo.
Além da qualidade do combustível, outros fatores operacionais influenciam diretamente no desempenho e no consumo das máquinas. Pneus descalibrados, filtros de ar saturados e fluidos vencidos aumentam o esforço do motor e, consequentemente, elevam o gasto durante a operação. “Sinais de perda de desempenho, dificuldade na partida ou aumento repentino no consumo não devem ser ignorados. Quanto antes a causa é identificada, menores tendem a ser os custos de manutenção e correção”, reforça Arley.
Em operações de maior porte, o uso de sistemas de telemetria também tem ampliado o controle sobre a eficiência das máquinas. Sensores instalados nos equipamentos permitem acompanhar dados de desempenho em tempo real, facilitando a identificação de falhas, desperdícios e padrões de consumo sem a necessidade de acompanhamento presencial constante no campo.
Outra prática importante para minimizar desperdícios é o planejamento adequado das operações no campo. Rotas mal definidas, excesso de deslocamentos e uso inadequado da marcha ou da rotação do motor aumentam o consumo de combustível e aceleram o desgaste dos componentes. Adequar a velocidade de trabalho à atividade realizada, evitar longos períodos de marcha lenta, drenar a água dos filtros e do tanque e abastecer em locais limpos e protegidos ajudam a preservar a qualidade do diesel e a aumentar a eficiência das máquinas durante a safra.
Para finalizar, o especialista ressalta que, “no campo, a eficiência do combustível é resultado de uma série de cuidados adotados ao longo de toda a operação. Da manutenção preventiva ao monitoramento do desempenho das máquinas, passando pela qualidade do diesel e pelas boas práticas de manutenção e condução, cada detalhe influencia diretamente nos custos da safra e na produtividade no dia a dia”, conclui.