7 erros ao dividir a estrada com caminhões

O mês de julho é sinônimo de rodovias movimentadas pelas viagens de férias escolares. No entanto, o aumento do fluxo de carros de passeio traz um alerta preocupante: de acordo com dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o número de acidentes nas estradas federais costuma subir até 20% neste período.

Nesse cenário de tráfego intenso, atitudes que parecem inofensivas para os motoristas de carros, como ultrapassar uma carreta e voltar rápido para a faixa da direita, transitar ao lado da cabine ou frear logo após a manobra, tornam-se gatilhos perigosos para colisões graves.

O gestor de frotas da Buzin Transportes, Fabrício Oliveira, com mais de 20 anos de experiência dirigindo caminhão, alerta que o maior perigo na estrada é tentar aplicar a física de um veículo leve ao comportamento de um gigante de dezenas de toneladas que compartilha a pista. “O trânsito em período de férias exige paciência redobrada. Um caminhão carregado precisa de muito mais tempo e pista para frear do que um carro de passeio. Além disso, a realidade do mercado brasileiro é de caminhões com média de 12 anos de uso, o que exige um cuidado ainda maior dos motoristas ao manobrar perto de veículos pesados”, alerta o ex motorista.

Para ajudar a garantir viagens de férias mais seguras, o especialista aponta os 7 erros mais comuns nas rodovias durante este período e como corrigi-los:

  1. Voltar para a frente do caminhão logo após a ultrapassagem

Após passar por um caminhão, muitos motoristas retornam para a faixa da direita de maneira imediata, “fechando” o veículo pesado. Como o caminhão precisa de muito mais pista para desacelerar, se o carro à frente precisar frear por causa do trânsito, o caminhoneiro não terá distância física para evitar a colisão traseira.

  1. “Estacionar” nos pontos cegos laterais

As carretas possuem imensos pontos cegos onde os carros de passeio simplesmente desaparecem do campo de visão dos retrovisores. Trafegar emparelhado à cabine ou muito perto das laterais do caminhão coloca o motorista do carro em uma zona de invisibilidade perigosa.

  1. Realizar frenagens bruscas à frente de uma carreta

As leis da física são implacáveis: caminhões carregados levam consideravelmente mais tempo para parar totalmente do que um carro de passeio. Em vez de frear bruscamente, o motorista do carro deve sempre avaliar se há um veículo pesado logo atrás antes de reduzir drasticamente a velocidade.

  1. Bloquear o caminhão que “abre” para fazer curvas

Ao ver uma carreta ocupar parte da faixa ao lado antes de fazer uma curva, muitos motoristas tentam acelerar para fechar o espaço. Essa manobra de “abrir” a curva é tecnicamente necessária para que a parte traseira do caminhão complete o trajeto sem subir em calçadas ou colidir com postes e carros.

  1. Forçar ultrapassagens pela direita

A ultrapassagem deve ser realizada estritamente pela esquerda. Quando um automóvel surge de forma inesperada pela direita, ele entra na área de maior vulnerabilidade e ponto cego do caminhoneiro, aumentando o risco durante uma mudança de faixa.

  1. Ignorar a distância de segurança (andar “colado” na traseira)

Andar muito próximo da traseira de uma carreta anula qualquer tempo de resposta em caso de desvios ou frenagens bruscas de emergência. Uma regra simples de visibilidade é: se você não consegue enxergar os espelhos retrovisores do caminhão, o caminhoneiro também não sabe que você está ali atrás.

  1. Esperar aceleração rápida de veículos pesados

Caminhões carregados demoram muito mais para recuperar a velocidade de cruzeiro após passagens por praças de pedágio, subidas ou perímetros urbanos. Pressionar o caminhoneiro com buzinas ou sinais de luz gera estresse e induz a manobras de alto risco.

“O motorista profissional passa por treinamentos rigorosos para operar o veículo, mas a segurança na estrada é uma responsabilidade compartilhada. Entender as limitações físicas do caminhão ajuda quem dirige carro de passeio a tomar decisões muito mais seguras, garantindo que todos cheguem bem ao seu destino de férias”, finaliza Oliveira.

 

Crédito Imagem: Magnific/Reprodução

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