Biometano avança no transporte pesado, mas ainda enfrenta desafios de infraestrutura

O uso de biometano no transporte rodoviário de cargas tem potencial para crescer nos próximos anos, mas a expansão ainda depende de avanços em infraestrutura, oferta do combustível e viabilidade econômica das operações. Para Pedro Silvestrini, VP de Estratégia e Novos Negócios LATAM da LOTS Group, a transição exige mais do que a substituição de caminhões a diesel por modelos movidos a gás.

“É necessário conhecer os fluxos do cliente, redesenhar processos e identificar ganhos de eficiência que permitam realizar a transição sem aumentar o custo final do transporte”, afirma. Segundo ele, os caminhões a gás ainda representam um investimento maior do que boa parte da frota a diesel em circulação.

Apesar do potencial brasileiro de produção de biometano a partir de resíduos do agronegócio, setor sucroenergético, aterros e saneamento, a oferta comercial permanece concentrada em algumas regiões. A distância entre produtores e principais rotas logísticas é outro obstáculo. Silvestrini avalia que novos projetos, contratos de longo prazo e soluções de distribuição serão necessários para garantir fornecimento previsível.

A infraestrutura de abastecimento também limita a expansão. Muitos postos foram projetados para veículos leves e não oferecem a vazão necessária para caminhões pesados. “Em uma operação bem estruturada, buscamos um tempo de abastecimento inferior a 20 minutos por veículo”, diz. Já existem postos de alta vazão em algumas rotas, mas, segundo ele, muitos ainda operam apenas com GNV por falta de oferta de biometano.

Para o executivo, a maior viabilidade econômica ocorre em operações dedicadas, com fluxos previsíveis, uso intensivo dos veículos e fornecimento estruturado. A análise deve considerar o custo total da operação, incluindo produtividade, manutenção, infraestrutura e abastecimento.

A experiência da LOTS Group com a Cocal é apontada como exemplo de integração entre produção e consumo. O projeto prevê 44 caminhões movidos a biometano, operando em três turnos nas unidades de Paraguaçu Paulista e Narandiba. A expectativa é substituir mais de 19 milhões de litros de diesel e evitar cerca de 41 mil toneladas de CO₂ ao longo de cinco anos.

Silvestrini também destaca o papel do Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB), que pode ampliar a rastreabilidade, reduzir riscos de dupla contagem dos benefícios ambientais e estimular contratos de longo prazo.

A expectativa é de crescimento do biometano nos próximos cinco anos, sobretudo em operações dedicadas e regiões de forte produção agroindustrial. “O biometano não substituirá sozinho o diesel em todas as rotas, mas terá papel relevante na descarbonização do transporte pesado, ao lado da eletrificação e de outras tecnologias”, conclui.

 

Imagem gerada por IA

Matéria feita por Redação Portal Petrus

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