A Petrobrás anunciou na última sexta-feira, 14, a descoberta de indícios de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, no litoral do estado do Amapá, na Margem Equatorial brasileira. A exploração de petróleo na região conta com o apoio da Federação Única dos Petroleiros (FUP).
Para a coordenadora-geral da FUP, Cibele Vieira, o declínio da produção do pré-sal evidencia a necessidade de o Brasil encontrar outras fontes de petróleo para garantir sua soberania energética, tendo em vista o crescimento da demanda.
“A FUP apoia a transição energética, entende que o mundo precisa superar a dependência por petróleo, mas essa dependência não será superada de uma hora para outra”, diz ela, lembrando que “a demanda por energia da sociedade cresce tanto que as novas fontes se somam às fontes já existentes. Ou seja, não haverá uma substituição completa. O que vai acontecer é que a energia fóssil vai diminuindo cada vez mais, proporcionalmente ao nosso uso”.
Para a federação dos petroleiros, o processo de transição energética implica também tornar os combustíveis fósseis menos poluentes, com tecnologias para a descarbonização. “O Brasil já tem uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo. Isso não significa que não tenhamos que olhar para os impactos ambientais, mas precisamos olhar também para a necessidade de energia para o desenvolvimento”, pontua Cibele.
Para ela, toda e qualquer empresa que for explorar um recurso natural ou fazer uma grande obra tem que se preocupar tanto com os impactos no meio ambiente como nas comunidades do entorno e, consequentemente, promover ações de mitigação desses impactos.
289 blocos concedidos na Margem Equatorial brasileira
Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese-subseção FUP), revela que existem no momento 289 blocos exploratórios concedidos e localizados na Margem Equatorial brasileira, em estudo para inclusão em oferta permanente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A maioria desses blocos está nas Bacias de Foz do Amazonas e Pará- Maranhão.
O economista do Dieese Cloviomar Cararine lembra que há mais de 600 poços já perfurados na região, mas a maior parte das perfurações realizadas nessas bacias ocorreu antes dos anos 2000 e, entre aquelas feitas nos últimos 20 anos, a maioria não encontrou petróleo comercial.
A perspectiva do país é produzir petróleo na região a partir de 2030, buscando repor a redução da produção do pré-sal naquele momento. As expectativas são de cerca de 30 bilhões de barris de petróleo, quase metade do já descoberto no pré-sal, com investimentos de US$ 3 bilhões até 2029, e com a perfuração de 15 poços exploratórios.
Cararine reforça que a transição energética no Brasil precisa fazer parte de um projeto soberano de país, respeitando as especificidades e dilemas que o país apresenta. “A transição não será rápida e não acontecerá com o fim da produção de petróleo, será preciso conciliar diversas fontes de energia”, afirma ele, destacando ainda o respeito e cuidado ambiental numa região muito sensível ambientalmente e socialmente.
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