5 mitos sobre pneus que ainda fazem parte da rotina dos motoristas

Pneu parado também envelhece. Calibragem acima da recomendada não garante economia de combustível, e até mesmo um pneu recém-instalado exige atenção contínua. Embora a manutenção desses itens de segurança seja parte essencial da rotina veicular, muitos motoristas ainda baseiam seus cuidados em conceitos ultrapassados.

Para desmistificar essas crenças, João Gonsales, vice-presidente da Bransales Pneus, elenca cinco mitos frequentes que geram dúvidas e podem colocar a segurança em risco:

  1. “Se o carro roda pouco, o pneu está bom” Mito. A quilometragem não é o único indicador de vida útil. A borracha sofre ação do tempo e pode ser severamente degradada pela exposição ao sol, calor, umidade e até pela forma como o veículo fica armazenado. “É uma ideia muito comum. Como o carro roda pouco, o proprietário acredita que o pneu praticamente não sofreu desgaste. No entanto, existe o envelhecimento natural do material. Por isso, é fundamental avaliar a condição do pneu como um todo, e não apenas o quanto ele rodou”, explica Gonsales. A regra se aplica inclusive ao estepe, que pode passar anos no porta-malas e ressecar mesmo sem nunca ter tocado o asfalto.
  2. “Quanto maior a pressão, menor o consumo de combustível” Mito. Embora a calibragem correta seja decisiva para a eficiência energética, exceder a pressão recomendada pela montadora gera o efeito reverso e prejudica o carro. “Há uma grande diferença entre manter a pressão ideal e supercalibrar. Ultrapassar a recomendação altera a área de contato da borracha com o solo, provocando desgaste irregular e perda de aderência. A verdadeira economia está em seguir a especificação exata para aquele modelo”, ressalta o executivo. A indicação correta pode ser consultada no manual do veículo ou em etiquetas localizadas na porta do motorista e na tampa do tanque.
  3. “Pneu novo não precisa de rodízio” Mito. O desgaste tem início no primeiro quilômetro rodado. Como cada eixo e posição do veículo exerce forças diferentes sobre as rodas, o rodízio é essencial para distribuir esse processo de maneira uniforme. “Não existe pneu imune a desgaste irregular. Fatores como tração, posição das rodas e até o estilo de direção influenciam diretamente. Um desgaste muito maior em uma posição específica, inclusive, é um alerta para problemas de alinhamento, suspensão ou balanceamento”, afirma Gonsales. O procedimento deve seguir os prazos estipulados pelo fabricante.
  4. “Pneu remold e pneu novo são a mesma coisa” Mito. São produtos com propostas diferentes. A remoldagem consiste no reaproveitamento de uma carcaça usada, que recebe uma nova banda de rodagem e outros componentes. “O consumidor precisa ter clareza do que está adquirindo, pois o pneu reformado possui características próprias.
  5. “Se o sulco ainda está fundo, o pneu não precisa ser trocado” Mito. A profundidade dos sulcos é importante, mas não conta toda a história. Anomalias estruturais podem inutilizar um pneu que aparentemente ainda tem muita borracha para gastar. “Muitas vezes, o motorista checa a banda de rodagem, vê que os sulcos estão preservados e considera que está tudo certo. Mas rachaduras, bolhas, cortes e deformações laterais são sinais críticos de deterioração. Buracos, excesso de carga e calibragem incorreta afetam a estrutura interna e reduzem drasticamente a vida útil”, alerta.

A prevenção como rotina

Para Gonsales, o principal erro é lembrar dos pneus apenas quando surge um imprevisto. “Eles precisam estar no checklist da rotina de manutenção. Conferir a calibragem, inspecionar o estado das quatro unidades e do estepe são ações simples. Muitas vezes, um desgaste irregular no pneu é o ‘sintoma’ visível de que alguma outra peça do veículo precisa de correção”, pontua. Essa atenção deve ser redobrada às vésperas de viagens longas, quando o carro roda por mais tempo e com maior carga.

 

Crédito Imagem: Divulgação/Bransales Pneus

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