Mercado de carbono abre nova receita para usinas de etanol

A tecnologia de captura e armazenamento de carbono (Carbon Capture and Storage, CCS em inglês) abre oportunidade de receita para as usinas de etanol com investimento zero, seja por meio de projetos individuais ou arranjos coletivos.

“Neste modelo de negócios, a usina ou um grupo delas vende o carbono a outra empresa que irá capturá-lo e armazená-lo, o que torna o retorno sobre o investimento excepcionalmente atrativo”, assinala o consultor Milas Evangelista, da Renovar Sustentabilidade, especializada em iniciativas de CCS, em particular de BECCS (bioenergia com captura e estocagem de carbono).

“Na produção de etanol, a fermentação converte os açúcares em álcool e libera CO₂ praticamente puro, que na maior parte das usinas é simplesmente liberado para a atmosfera. Entretanto, esse fluxo relativamente concentrado de CO₂ oferece uma oportunidade singular”, sublinha um dos organadores do evento, Everton Oliveira e presidente da Hidroplan.

Ele complementa que “após a compressão, o CO₂ pode ser transportado e armazenado de forma permanente em reservatórios geológicos profundos. Como o carbono originalmente foi retirado da atmosfera pela fotossíntese e deixa de retornar ao ciclo atmosférico, o resultado líquido é a remoção de CO₂ da atmosfera.”

Esses e outros assuntos serão apresentados em detalhes na segunda edição do Carbonless Summit, evento programado para 02 de setembro no Centro de Convenções da Cana do Instituto Agronômico de Campinas (IAC). O local fica no mesmo espaço onde é realizada a Agrishow em Ribeirão Preto (SP), polo do setor sucroenergético nacional. Segundo Oliveira, o CO₂ gerado na fabricação de etanol está praticamente pronto para ser estocado, devido ao seu elevado grau de concentração – diferentemente de outros setores em que o CO₂ precisa ser separado de outros gases.

A monetização deste CO₂ para as usinas ocorre, por exemplo, pela sua simples venda a empresas que planejam armazená-lo, em modalidades mais avançadas que preveem a comercialização de créditos de carbono, a certificação do etanol com pegada negativa, a geração de mais CBios a partir de nota mais alta no RenovaBio, acesso a fundos globais bilionários dedicados à sustentabilidade, ingresso diferenciado a mercados verdes em expansão como os de aviação e navegação comercial, entre outras possibilidades.

Organizado pelo Instituto Água Sustentável, com apoio da CCS Brasil, o Carbonless Summit também abordará regulação, licenciamento e mercado de armazenamento de carbono para as usinas de etanol. Além de toda a cadeia produtiva do setor sucroenergético, o evento reunirá autoridades e o ecossistema de prestadores de serviços de CCS – de tecnologia, engenharia, passando por finanças, seguro, escritórios de advocacia e consultoria, entre outros.

SERVIÇO:
Carbonless Summit – 2ª. edição
Data: 02 de setembro de 2026
Local: Centro de Convenções da Cana do IAC (Agrishow), Ribeirão Preto (SP)

DETALHES E INSCRIÇÕES:
https://carbonless.org.br/

 

Imagem gerada por IA

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

CATEGORIAS