As recentes descobertas de petróleo em águas profundas pela Petrobras e a descoberta da BP em 2025, a maior da companhia britânica nos últimos 25 anos, recolocaram o Brasil no centro das atenções da indústria mundial de energia. Somadas ao avanço das pesquisas na Margem Equatorial, ao crescimento das energias renováveis e ao aumento da demanda global por segurança energética, elas desenham um cenário em que o país reúne condições para assumir um protagonismo inédito na produção de energia nas próximas décadas. Transformar esse potencial em realidade, no entanto, depende de muito mais do que reservas naturais. Exige investimentos bilionários, embarcações especializadas, transferência de tecnologia e a atração de profissionais altamente qualificados. Para a Fragomen, líder global em imigração empresarial, a mobilidade internacional será um dos fatores decisivos para que o Brasil consiga acelerar esse processo.
Segundo levantamento da Fragomen, o setor de energia responde por aproximadamente 43% das solicitações de vistos de trabalho no primeiro semestre de 2026, ou , reforçando que continua sendo o principal motor da imigração corporativa para o país, e a importância para a economia na atração de investimento estrangeiro. A Fragomen participa da Rio Oil & Gas Energy 2026 justamente em um momento em que a discussão sobre energia ultrapassa a dimensão econômica e passa a ocupar posição estratégica na geopolítica mundial.
“A energia voltou ao centro das discussões internacionais. Em um cenário de conflitos geopolíticos e de preocupação crescente com a segurança energética, países capazes de produzir energia de forma estável tornam-se ativos estratégicos para o mundo. O Brasil reúne características únicas para ocupar esse espaço, mas demanda mais talentos e recursos técnicos, como embarcações, suficientes para suprir uma demanda desta magnitude”, afirma Diogo Kloper, diretor executivo da Fragomen no Brasil.
“Enquanto diversas regiões produtoras convivem com conflitos e instabilidade, o Brasil oferece previsibilidade para investimentos de longo prazo. Isso desperta o interesse de empresas do mundo inteiro.”
Potencial exige capital, conhecimento e pessoas
Apesar das recentes descobertas, o Brasil ainda enfrenta gargalos para ampliar rapidamente sua produção. A exploração em águas profundas e ultraprofundas demanda embarcações altamente especializadas disputadas em todo mundo, equipamentos produzidos no exterior e profissionais com experiência acumulada em diferentes mercados internacionais. Ao mesmo tempo, a expansão da energia eólica offshore, da energia solar, do hidrogênio de baixo carbono e dos novos combustíveis sustentáveis depende da incorporação constante de tecnologias desenvolvidas em diversos países.
“A riqueza natural, por si só, não transforma um país em potência energética. O que faz essa transformação acontecer é a capacidade de atrair investimentos, tecnologia e pessoas. A imigração é justamente a ferramenta que conecta esses três elementos”, explica Kloper.
Segundo ele, a presença de especialistas estrangeiros não representa substituição da mão de obra brasileira, mas aceleração do desenvolvimento tecnológico nacional. “Cada profissional estrangeiro traz conhecimento acumulado em projetos desenvolvidos ao redor do mundo. Esse conhecimento permanece no Brasil por meio da transferência de tecnologia, do treinamento das equipes locais e da formação de novos especialistas brasileiros.”
Segurança energética impulsiona investimentos
A necessidade mundial de diversificar fornecedores de energia ganhou força nos últimos anos com os conflitos internacionais que afetam importantes regiões produtoras de petróleo e gás. Nesse contexto, o Brasil passa a ser visto não apenas como produtor, mas como um parceiro estratégico para garantir estabilidade no abastecimento global.
Além da produção tradicional de petróleo e gás, o país possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e continua ampliando sua capacidade em fontes renováveis, criando um ambiente favorável tanto para empresas de energia quanto para indústrias intensivas em consumo energético, como data centers, inteligência artificial e manufatura avançada.
Imigração como política de competitividade
Para a Fragomen, a discussão sobre imigração no setor energético precisa deixar de ser vista apenas sob a ótica regulatória. “A mobilidade internacional é uma política de desenvolvimento econômico. Quando facilitamos a entrada de especialistas altamente qualificados, aceleramos investimentos, ampliamos nossa capacidade tecnológica e fortalecemos a competitividade brasileira.” Segundo Kloper, esse movimento beneficia toda a cadeia produtiva. “Os investimentos internacionais trazem capital, inovação, novos processos produtivos e formação profissional. O resultado é um setor mais competitivo e uma economia mais preparada para ocupar um espaço cada vez mais relevante na geopolítica da energia.”
Crédito Imagem: Canva