A crescente instabilidade do mercado global de ureia automotiva está impondo um novo desafio aos fabricantes brasileiros de Arla 32: operar sem inteligência de mercado deixou de ser uma opção segura. Oscilações de preços, riscos logísticos, restrições comerciais e variações cambiais ampliaram a exposição do setor a perdas de margem e até a rupturas no abastecimento.
Dependente majoritariamente de insumos importados, a cadeia do Arla 32 passou a exigir decisões cada vez mais técnicas e estruturadas. Estratégias baseadas apenas em histórico de compras ou percepção de mercado já não conseguem responder à velocidade das mudanças no cenário internacional.
“O mercado ficou complexo demais para decisões intuitivas. Hoje, dados de produção global, logística, sanções, oferta e demanda precisam fazer parte da estratégia de compra”, afirma Rafael Meier, diretor de Operações da AIN Global.
Dados reduzem incertezas e aumentam previsibilidade
Diante desse cenário, o uso de inteligência de mercado, big data e análise preditiva vem ganhando espaço na tomada de decisão. Informações sobre paradas de plantas industriais, níveis globais de oferta, comportamento de fretes marítimos e fluxos comerciais permitem que fabricantes antecipem riscos e escolham momentos mais adequados para compra e importação.
“Não se trata de prever o futuro com exatidão, mas de reduzir incertezas. Aumentar o nível de assertividade já representa ganho real de competitividade”, explica Meier.
No mercado de Arla 32, onde a ureia automotiva representa um dos principais componentes de custo, qualquer variação inesperada impacta diretamente a produção, o planejamento industrial e o preço final do produto.
Importação deixa de ser operacional e vira estratégica
Outro ponto crítico é a integração entre importação, estrutura financeira e controle técnico do produto. Especialistas apontam que tratar essas áreas de forma isolada aumenta riscos operacionais e financeiros, especialmente em um ambiente de alta volatilidade cambial e logística internacional pressionada.
“Importar não é apenas comprar fora. É estruturar financiamento, proteger câmbio, garantir qualidade e planejar logística. Quando essas decisões não caminham juntas, o risco cresce”, avalia Pedro Lehmann, diretor da AIN Global.
Segundo a empresa, fabricantes que adotam uma abordagem integrada conseguem maior previsibilidade de custos, redução de riscos e mais capacidade de planejamento de médio e longo prazo.
Crescimento do mercado amplia pressão por estratégia
Com a expansão da frota nacional equipada com tecnologia SCR, a demanda por Arla 32 tende a crescer nos próximos anos. Esse movimento amplia não apenas as oportunidades, mas também a competitividade do setor.
“O mercado vai crescer, mas também ficará mais disputado. Quem se estruturar agora, com dados e visão estratégica, terá vantagem”, conclui Lehmann.
Crédito Imagem: Divulgação