Alta do petróleo está acelerando a sustentabilidade nas empresas

À medida que os conflitos no Oriente Médio avançam e a navegação pelo Estreito de Ormuz fica prejudicada, a indústria brasileira vê diminuir a oferta de derivados de petróleo, como o plástico. Segundo dados da S&P Global Energy, a região corresponde a aproximadamente 25% das exportações globais de polietileno e polipropileno, matérias primas utilizadas para produzir produtos plásticos. Com isso, começou uma corrida das empresas brasileiras para encontrar substitutos para o material, aumentando a demanda por soluções sustentáveis.

É o que aconteceu com Leandro Hiebl, CEO da AgilFix, que foi pioneiro na fabricação de cintas reutilizáveis para substituir o filme stretch descartável utilizado por praticamente toda cadeia de transporte logístico para prender as cargas aos pallets de transporte. Com o aumento de até 60% no preço do produto desde fevereiro, o empresário conta que a procura pelas cintas aumentou e já impactou as projeções de faturamento da empresa em 35%. Com isso, a fabricante mira em faturar R$ 6 milhões de reais em 2026.

“Durante a pandemia, o mercado enfrentou um problema sério de desabastecimento de plástico stretch que afetou pequenas e médias empresas. Nesse período, nós conseguimos dobrar o nosso faturamento, mas o principal foi conseguir implementar a solução sustentável nas empresas. Como as cintas podem ser reutilizadas por cinco anos, em média, o legado construído nessa época continua. Para ter dimensão, o plástico que deixamos de descartar encheria 857 caminhões truck. São 12.000 toneladas de resíduos evitados, o que formaria uma fila de mais de 8,5 quilômetros de caminhões carregados”, explica Hiebl.

Para o executivo, os momentos de crise obrigam as empresas a enxergar a dependência em determinados insumos não-renováveis, os derivados de petróleo são um exemplo disso. Assim, como a logística está começando a compreender que existem opções mais sustentáveis e até mais econômicas em relação ao plástico, outros segmentos também estão tendo que acelerar uma transição que já estava em curso, mas que ainda conta com muita resistência por parte das empresas.

“Nós torcemos pelo fim do conflito no Oriente Médio, mas isso não exclui o fato de que o petróleo é uma fonte de energia fóssil e não renovável. Esse é um desafio global que afeta todos os setores da economia. É importante começar a olhar para soluções com menor impacto ambiental como uma transição necessária. Nesse sentido, toda a cadeia de empresas, serviços e indústrias que fornecem soluções sustentáveis tem muito a contribuir nesses momentos porque nossas soluções miram o futuro”, encerra o CEO da AgilFix.

 

Crédito Imagem: Divulgação

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