Pela primeira vez na história do país, as motocicletas ultrapassaram os carros de passeio em número de vendas anuais. Em 2025, foram 2,19 milhões de unidades emplacadas no Brasil, segundo dados da Fenabrave, consolidando uma mudança que vai além das estatísticas e revela uma nova configuração da mobilidade urbana nacional.
O fenômeno tem sido ainda mais intenso no Paraná, onde fatores econômicos, mudanças tributárias e a expansão do trabalho por aplicativos aceleraram a presença das motos nas ruas. Hoje, o estado soma quase 1,9 milhão de motocicletas e motonetas, o equivalente a cerca de 20% de toda a frota estadual.
Parte desse avanço é atribuída à isenção do IPVA para motos de até 170 cilindradas, medida em vigor desde janeiro de 2025. O incentivo fez disparar as vendas de modelos de baixa cilindrada, cuja comercialização mais que dobrou no estado em apenas um ano. Nos primeiros quatro meses de 2026, o Paraná já registrou quase 59 mil novos emplacamentos, volume próximo ao total vendido em todo o ano de 2024.
Mas o impacto desse crescimento vai muito além das concessionárias. Com mais motocicletas em circulação, toda uma cadeia econômica passa a se expandir em ritmo acelerado , especialmente setores ligados à manutenção e aos insumos automotivos.
Entre os segmentos diretamente beneficiados está o mercado de lubrificantes para motocicletas, considerado hoje um dos mais dinâmicos da indústria automotiva. Diferentemente dos carros, as motos exigem trocas de óleo mais frequentes, geralmente entre 3 mil e 5 mil quilômetros, o que amplia significativamente a demanda, sobretudo entre entregadores, motoboys e profissionais que dependem das duas rodas como ferramenta diária de trabalho.
Segundo levantamento da plataforma MototraK, o mercado brasileiro de óleo para motores de motocicletas alcançou cerca de 145 milhões de litros em 2025, com crescimento de 4,3% em relação ao ano anterior. A tendência é de expansão contínua.
No Paraná, esse movimento já altera a estrutura das empresas responsáveis pelo abastecimento da cadeia. A Acipar, distribuidora com atuação no estado há mais de cinco décadas, afirma que cerca de 30% de sua operação hoje está concentrada no segmento de motos.
“O mercado de motos tem um giro extremamente dinâmico. Existe uma necessidade muito grande de abastecimento rápido, disponibilidade de estoque e relacionamento próximo com oficinas, lojas e revendas”, afirma Luiz Alberto Gomes Jr., diretor-executivo da empresa.
Segundo ele, a motocicleta deixou de ser apenas uma alternativa econômica para se tornar protagonista da mobilidade urbana brasileira. “A motocicleta passou a ocupar uma posição central no deslocamento diário das pessoas e no funcionamento da economia urbana. Isso aumenta a demanda por lubrificantes de qualidade e exige uma estrutura logística cada vez mais eficiente”, explica.
A resposta do setor tem sido ampliar capacidade e investir em tecnologia. Para acompanhar o crescimento da demanda, a Acipar inaugura uma nova sede em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, com capacidade para armazenar até 3 milhões de litros de produtos.
Alta performance e durabilidade
“A adoção de lubrificantes sintéticos de alta performance ampliam a durabilidade dos motores, reduzem a frequência das trocas e ajudam a diminuir custos operacionais, especialmente relevantes para profissionais que dependem intensamente da motocicleta”, orienta Gomes Jr.
Para ele, o avanço das motos, não representa apenas uma mudança no trânsito ou nos hábitos de consumo. Trata-se de uma transformação estrutural, que tem redefinido setores inteiros da economia, exige adaptação logística e coloca sustentabilidade e eficiência no centro das decisões empresariais.
“Com a projeção de 2,4 milhões de motocicletas vendidas no Brasil em 2026, o setor segue acelerando e, com ele, todos os negócios que giram em torno das duas rodas”, completa.
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