Crédito ganha peso no desafio de renovar frota de veículos no Brasil

A transição para uma frota de veículos menos poluente no Brasil passa pela eletrificação, mas esbarra em um problema mais imediato, que é a idade dos carros que já estão nas ruas. Em 2025, os automóveis em circulação no país tinham, em média, 11 anos e cinco meses, segundo levantamento da Abipeças e do Sindipeças.

A renovação dessa frota depende da chegada de novas tecnologias ao mercado e também das condições financeiras para que o consumidor consiga trocar de carro. O acesso ao crédito é um dos fatores que podem ajudar a ampliar a substituição de veículos antigos por modelos mais novos, com menor consumo de combustível e tecnologias mais recentes de controle de emissões.

O tema ganhou espaço nas últimas semanas com mudanças no Move Brasil, programa de financiamento voltado a taxistas e motoristas de aplicativo. Em agosto, o valor máximo dos veículos que podem ser financiados subiu de R$ 150 mil para R$ 200 mil. O programa também passou a incluir novas categorias de híbridos e teve o prazo máximo de pagamento ampliado de 72 para 84 meses.

As alterações aumentam as opções disponíveis justamente para um grupo que utiliza o automóvel de forma intensiva. Para taxistas e motoristas de aplicativo, o consumo de combustível tem peso relevante no custo da atividade, o que torna a eficiência do veículo um componente importante na decisão de compra.

“O Brasil tem uma frota envelhecida e, para renová-la com veículos mais eficientes, não basta a indústria oferecer novas tecnologias. É preciso criar condições para que o consumidor consiga fazer essa troca. O acesso ao financiamento é uma peça importante para ampliar esse movimento e fazer com que a renovação chegue a uma parcela maior da população”, afirma Jeferson Piani, CFO e presidente do Comitê ESG da Tecnobank.

A renovação mais lenta mantém em circulação por mais tempo veículos produzidos com tecnologias anteriores às encontradas nos modelos atuais. A discussão sobre uma mobilidade mais sustentável não se limita à substituição de carros a combustão por elétricos, pois a entrada de híbridos e de modelos mais recentes e eficientes também pode contribuir para reduzir gradualmente o consumo de combustível e as emissões da frota em circulação.

Na avaliação de Piani, a discussão sobre a renovação da frota passa ainda pela estrutura necessária para viabilizar as operações de financiamento com segurança. Depois da aprovação do crédito, há etapas como a formalização do contrato, o registro da garantia e a integração das informações com os órgãos de trânsito. “A indústria vem avançando na oferta de veículos mais eficientes, mas essa transformação precisa ser acompanhada pela estrutura financeira e operacional que viabiliza a compra. O financiamento é parte dessa engrenagem e, à medida que o mercado avança, os processos de registro também precisam acompanhar esse movimento com eficiência e segurança”, conclui.

 

Crédito Imagem: Canva

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

CATEGORIAS