Ao abastecer um veículo, o motorista vê apenas a etapa final de um processo que começa a milhares de metros de profundidade. Antes de chegar ao tanque, a gasolina passa pela extração do petróleo, pelo refino e pela distribuição. No Brasil, parte desse percurso começa em campos de petróleo localizados em alto-mar, onde o óleo é retirado das reservas e levado para as etapas seguintes.
Em alusão ao Dia do Petróleo Brasileiro, celebrado em 3 de outubro, vale entender como o petróleo percorre esse caminho até se transformar em combustível. “O consumidor vê a gasolina apenas no momento do abastecimento, mas existe todo um controle por trás desse produto. O combustível precisa chegar ao posto dentro dos padrões estabelecidos, e isso envolve cuidados em diferentes momentos da cadeia”, explica Antônio José Costa, assessor de assuntos econômicos do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado do Ceará (Sindipostos-CE).
Cadeia começa pela extração
O petróleo é encontrado em formações rochosas e retirado por meio de poços perfurados até as reservas. Nos campos marítimos, plataformas e equipamentos específicos fazem a extração e levam o óleo até a superfície.
Depois de retirado, o petróleo passa por uma separação inicial ainda na área de produção. Em seguida, é levado aos terminais instalados no litoral brasileiro. O transporte pode ser feito por navios ou oleodutos, dependendo do trecho percorrido. Dos terminais, o óleo segue para as refinarias.
É nas refinarias que o petróleo é transformado em diferentes derivados. O processo é dividido em três etapas: separação, conversão e tratamento.
Refinaria transforma o petróleo em derivados
Na primeira delas, o petróleo é aquecido a altas temperaturas e levado para uma torre de destilação. Ali, os diferentes componentes se separam de acordo com suas características e formam frações em diferentes níveis da estrutura.
É dessa etapa que saem derivados como gasolina, diesel e querosene. Os componentes mais leves ficam nas partes superiores da torre, enquanto os mais pesados se concentram nas regiões inferiores.
Parte dessas frações ainda passa pela etapa de conversão. Nesse processo, as moléculas maiores são quebradas em partes menores, que podem ser aproveitadas na produção de outros derivados. A técnica também permite aumentar o aproveitamento do petróleo durante o refino.
Tratamento prepara a gasolina
Antes de deixar a refinaria, a gasolina passa por processos de tratamento. Um deles é a redução do teor de enxofre, necessária para que o combustível atenda às especificações estabelecidas para sua comercialização.
Depois, a gasolina segue para as distribuidoras, onde recebe a adição de etanol anidro prevista nas exigências da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O componente contribui para elevar a octanagem do combustível, relacionada à resistência à pressão no motor, e também está associado à redução de determinadas emissões.
No caso da gasolina aditivada, ela passa ainda pela inclusão de detergentes e dispersantes. Esses componentes têm a função de auxiliar na limpeza do sistema de alimentação do motor. Depois disso, o combustível é levado aos postos, onde finalmente chega à bomba e, depois, ao tanque dos veículos.