Preço de derivados e custos adicionais interferem no preço final de gasolina

Apesar de das reduções da Petrobras, consumidor final não sentiu valor do combustível diminuir

Boletim de Preços dos Combustíveis de janeiro, divulgado pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), mostra que, em 2025, o preço do petróleo no mercado internacional manteve uma trajetória de queda, aprofundando a tendência iniciada em meados de 2022. Em dezembro, o barril do Brent registrou média mensal de US$ 62,64, chegando, em alguns momentos, a recuar para abaixo de US$ 60 — patamar observado pela última vez no início de 2021, ainda sob os efeitos da pandemia de Covid-19. Esse movimento reflete cinco meses consecutivos de quedas — a maior sequência negativa em 11 anos — em um contexto de expansão contínua da oferta global.

 

O Preço de Paridade de Importação (PPI), calculado pela ANP, acumulou uma forte queda ao longo do ano, com recuos, entre janeiro e dezembro, de 29,3% para a gasolina, 20,9% para o diesel e 36,3% para o GLP. Em 2025, a Petrobras realizou dois reajustes na gasolina, resultando em uma redução acumulada de 10,3% no preço praticado em suas refinarias. No caso do diesel, foram três reajustes — um aumento e duas reduções — que, no conjunto, levaram a uma queda de 6,5% no ano. Já o GLP não passou por reajustes.

 

No caso do preço médio nacional de revenda, o cenário foi diferente. Considerando as médias mensais entre janeiro e dezembro, a gasolina apresentou uma leve alta de 0,16%, o diesel uma pequena queda, de aproximadamente 1,5%, e o GLP um aumento de cerca de 2,8%. É importante destacar que, para além do petróleo enquanto matéria-prima e do próprio preço do derivado vendido às distribuidoras, outros custos compõem o preço final de revenda. Entre eles estão os tributos, as margens de distribuição e revenda e o preço dos biocombustíveis presentes na mistura da gasolina e do diesel. Soma-se a esse conjunto o contexto inflacionário do país, que registrou variação de 4,26%, de acordo com o IPCA, calculado pelo IBGE.

 

A diferença entre a queda no PPI, os reajustes da Petrobras e os preços de revenda não se explica por alterações tributárias — inexistentes ao longo do ano —, mas pelos demais componentes da formação de preços. Em resumo, a queda no preço do petróleo impõe desafios às empresas que se apoiam na exportação do petróleo cru, mas pode beneficiar o mercado doméstico de combustíveis ou mesmo a exportação de derivados.

Acesse o Boletim de Preços aqui.

Foto: Canva

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