O estado de São Paulo segue entre os principais pontos de atenção no roubo de cargas no Brasil, em um cenário que continua desafiador para o Transporte Rodoviário de Cargas. De acordo com o levantamento anual da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), o Rio de Janeiro lidera o ranking nacional de ocorrências, seguido por São Paulo, que mantém elevada concentração de registros.
Em 2025, o Brasil registrou 8.570 ocorrências, o que representa uma redução de 16,7% em relação ao ano anterior. Apesar da queda, o impacto econômico permanece elevado, com prejuízos diretos estimados em cerca de R$ 900 milhões, podendo ultrapassar R$ 1 bilhão ao considerar os efeitos indiretos.
No recorte estadual, os dados reforçam a relevância de São Paulo. Foram 3.470 ocorrências registradas no estado em 2025, número que evidencia a forte incidência do crime em regiões com grande densidade logística e intensa circulação de mercadorias, ao lado do Rio de Janeiro, que lidera com 3.777 registros.
A região Sudeste concentra a maior parte dos casos no país, refletindo um ambiente operacional mais exposto e complexo, onde a logística se encontra diretamente com áreas urbanas densas e corredores estratégicos de distribuição.
O levantamento também evidencia que o roubo de cargas está cada vez mais associado à atuação de grupos organizados, que operam com planejamento e foco em mercadorias de alta liquidez, como alimentos, combustíveis, medicamentos e eletroeletrônicos.
Outro ponto de atenção é o padrão das ocorrências, que se concentram principalmente em áreas urbanas e periurbanas, com abordagens durante o trajeto ou no momento das entregas, exigindo das empresas investimentos contínuos em tecnologia, inteligência e gestão de risco.
Para o presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP), Carlos Panzan, os dados reforçam que, embora haja evolução nos indicadores, o cenário ainda exige atenção permanente. “Os dados mostram uma redução relevante, mas ainda estamos diante de um volume expressivo de ocorrências. São Paulo, com a quantidade de registros de ocorrências, segue como um dos principais pontos de atenção do país, reflexo da sua relevância logística e da alta circulação de mercadorias. O roubo de cargas hoje está diretamente ligado a estruturas organizadas, que atuam com planejamento e foco em produtos de rápida comercialização, o que exige resposta contínua e integrada.”
Panzan reforça que a atuação conjunta segue como fator essencial para avançar no enfrentamento ao problema. “A FETCESP seguirá acompanhando esse cenário de forma próxima, em alinhamento com a NTC&Logística e demais entidades do setor produtivo, contribuindo com informações, diálogo e iniciativas que fortaleçam a segurança no Transporte Rodoviário de Cargas.”
O levantamento da NTC&Logística reforça que o roubo de cargas segue como um dos principais desafios do setor no Brasil, impactando diretamente os custos operacionais, a eficiência logística e a competitividade, além de gerar reflexos em toda a cadeia de abastecimento.