Inovação fortalece atuação da BASF no setor de biodiesel

Em um cenário global marcado pela pressão por descarbonização e pelo avanço de barreiras regulatórias sobre produtos ligados à cadeia da soja, a BASF reforçou, durante III Fórum Biodiesel e Bioquerosene da Ubrabio, o papel estratégico da ciência, da inovação e da indústria química para garantir a competitividade do biodiesel brasileiro no mercado internacional.

Ao longo do evento, executivos da companhia destacaram como métricas auditáveis, capacidade produtiva nacional e investimentos em inovação vêm consolidando o setor como um dos pilares da transição energética no Brasil.

Ciência, dados e competitividade internacional          

Durante o painel “Do campo ao mercado: como a Análise de Ciclo de Vida fortalece o biodiesel brasileiro”, Rodolfo Viana, diretor-presidente da Fundação ECO+/BASF, defendeu que a competitividade do setor irá depender cada vez mais da capacidade de comprovar, com base científica, os ganhos ambientais e socioeconômicos do biodiesel nacional.

“A pauta da sustentabilidade atrai uma percepção inicialmente positiva, mas precisamos ir além e demonstrar a viabilidade econômica e o impacto nos negócios. Essa análise pautada em ciência e dados comparáveis e auditáveis é fundamental, especialmente diante das rigorosas exigências regulatórias em discussão hoje na comunidade europeia”, afirmou Viana.

Segundo o executivo, a Análise de Ciclo de Vida (ACV) tornou-se uma ferramenta estratégica para embasar decisões, demonstrar desempenho ambiental comparável e sustentar tecnicamente a o posicionamento do biodiesel brasileiro diante de pressões regulatórias e comerciais.

Na prática, a metodologia permite avaliar impactos ao longo de toda a cadeia produtiva — desde a produção de insumos agrícolas até as emissões industriais no processo de transesterificação. De acordo com um estudo conduzido pela Fundação ECO+ para a operação da Caramuru, uma das maiores processadoras do país, o biodiesel de uma das plantas da empresa emite cerca de 0,91 kg de CO₂e para cada quilo de combustível produzido. O índice está abaixo dos parâmetros observados em estudos de Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) do biodiesel brasileiro. Esses estudos indicam variações relevantes de intensidade de carbono conforme a rota produtiva, eficiência industrial e fatores associados à mudança de uso do solo, podendo superar 1,2 kg de CO₂e por kg de combustível em determinados contextos, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas.

Além da mitigação ambiental, Viana ressaltou que a mensuração baseada em dados foi complementada por análises que permitem avaliar impactos socioeconômicos positivos, como o fortalecimento da agricultura familiar, a inclusão de jovens e mulheres nas atividades rurais e a geração de desenvolvimento regional.

Inovação industrial e liderança pelo exemplo

Durante o painel dedicado à evolução tecnológica do setor, Marina Pitta, Líder de Marketing para Monômeros da BASF América do Sul, destacou o compromisso de longo prazo da companhia com a cadeia de valor dos biocombustíveis e o papel da química para viabilizar a transição energética.

“Sem química, não há transição energética e sem catalisador, não há biodiesel. A BASF atua com um portfólio integrado de soluções para a indústria, investindo globalmente cerca de 2 bilhões de euros ao ano em pesquisa e desenvolvimento, com um olhar afiado para a sustentabilidade”, afirmou a executiva.

Um dos principais destaques apresentados pela companhia foi a operação da planta de metilato de sódio da BASF em Guaratinguetá (SP), insumo que atua como principal catalisador no processo de produção do biodiesel.

Inaugurada em 2011, a unidade é pioneira na tecnologia utilizando-se de coluna de destilação reativa na América do Sul, rota produtiva esta, que será utilizada como referência para a nova planta de produção de metilato de sódio na casa matriz da empresa na Alemanha. Com capacidade produtiva de 90 mil toneladas ao ano, a planta está preparada para atender aos avanços das misturas e suprir às demandas do mercado brasileiro diante do avanço das misturas obrigatórias de biodiesel.

Marina Pitta reforçou que a sustentabilidade precisa estar presente em toda a cadeia operacional da companhia. Como parte da meta global da BASF de reduzir emissões de escopo 1 e 2 em 25% até 2030 e alcançar neutralidade climática até 2050, a planta de Guaratinguetá está recebendo investimentos de aproximadamente R$ 40 milhões para a eletrificação da caldeira da unidade, substituindo a combustão tradicional e reduzindo significativamente as emissões da operação.

Além disso, a companhia anunciou testes logísticos em parceria com Ambipar utilizando caminhões movidos a biodiesel 100% (B100) no transporte de metilato de sódio, em um projeto que busca avaliar ganhos operacionais e ambientais do combustível em condições reais de uso.

“A BASF quer continuar sendo parceira estratégica nos avanços do biodiesel brasileiro, por isso buscamos através deste projeto contribuir com dados concretos sobre a eficiência econômica, redução da pegada de carbono e benefícios operacionais concluiu Marina.

 

Crédito Imagem: Divulgação

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