O mercado internacional de petróleo voltou a operar sob forte volatilidade. Com a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã e o anúncio do fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde passa aproximadamente um quinto do comércio marítimo mundial de petróleo, os preços dispararam: conforme noticiado recentemente pela imprensa, o Brent chegou a ser negociado perto de US$ 83 o barril e o WTI perto de US$ 78, com analistas cogitando a possibilidade de o barril alcançar US$ 100 caso a instabilidade persista.
O episódio reacende, mais uma vez, o debate sobre a dependência brasileira de combustíveis fósseis importados e reforça a urgência de diversificar a matriz energética nacional. É nesse contexto que o biometano, produzido localmente a partir de resíduos agropecuários, industriais e urbanos, ganha peso estratégico: além de reduzir emissões, contribui para blindar o país contra choques de preço e de oferta vindos do mercado internacional de petróleo e gás.
Segundo a Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás) o Brasil tem avançado no arcabouço regulatório que sustenta essa transição. A Lei nº 14.993/2024 (Lei do Combustível do Futuro) e o Decreto nº 12.614/2025 instituíram o Programa Nacional de Descarbonização do Produtor e Importador de Gás Natural e de Incentivo ao Biometano, que estabelece metas anuais de redução de emissões para produtores e importadores de gás natural, a serem cumpridas por meio da compra de biometano ou de Certificados de Garantia de Origem do Biometano (CGOB).
Em 26 de junho, a Diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou o Estudo Técnico sobre a Fungibilidade do CGOB, que avaliou a possibilidade de reconhecimento intercambiável do certificado brasileiro com outros instrumentos de atributos ambientais, como os RINs (EUA) e o Guarantee of Origin (União Europeia). A conclusão, após consulta a 17 instituições do mercado e da sociedade, foi manter o modelo de “fungibilidade por validação”: sem equivalência automática entre certificados, com avaliação caso a caso baseada em critérios de metodologia, integridade ambiental, rastreabilidade e governança.
“O Brasil tem hoje um ambiente regulatório mais claro do que em qualquer outro momento da história do setor. Isso muda o jogo: o biometano deixa de ser apenas uma alternativa de baixo carbono e passa a ser tratado como parte da estratégia de segurança energética do país, ao lado da política de descarbonização do gás natural”, avalia a presidente executiva da ABiogás, Josiani Napolitano.
É exatamente esse cruzamento entre instabilidade geopolítica do petróleo, avanço regulatório e oportunidade de mercado que estará no centro dos debates da 13ª edição do Fórum do Biogás, promovida pela Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás) nos dias 11 e 12 de agosto, no São Paulo Expo, na capital paulista. Apresentado como o maior encontro setorial da América Latina, o evento reúne autoridades nacionais e internacionais, investidores e representantes de toda a cadeia produtiva, em uma programação voltada a negócios, regulação, inovação e segurança energética.
“Em um cenário de instabilidade internacional dos combustíveis fósseis, o biometano se torna ainda mais estratégico para o Brasil. Reunir, no Fórum, quem regula, quem produz e quem investe é essencial para transformar esse momento em decisões concretas de política energética”, afirma Tiago Santovito, diretor executivo da ABiogás.
Segurança energética guia a programação do 13º Fórum do Biogás
Outro fator que corrobora para a solidificação do biometano no Brasil é o volume crescente de plantas em operação e em processo de autorização pela Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP). Conforme o Relatório Dinâmico de Autorizados, hoje o país tem respectivamente 21 e 48 unidades no pipeline do biometano nacional.
Segundo o Panorama do Biogás 2025 (CIBiogás), o Brasil soma atualmente 1.803 plantas de biogás cadastradas, indicando um crescimento médio de aproximadamente 15% ao ano nos últimos cinco anos, ritmo que o próprio estudo aponta como cerca de cinco vezes superior à expansão média do PIB nacional no período. A capacidade instalada de produção de biogás no país chega a aproximadamente 4,96 bilhões de Nm³ por ano, base sobre a qual o biometano desponta como o principal vetor de agregação de valor do setor.
A programação do 13o Fórum do Biogás, distribuída em duas salas simultâneas ao longo de dois dias, abordará temas como ambiente regulatório, desenvolvimento de projetos, tecnologias, modelos de contratação, financiamento e integração do biogás e do biometano às políticas climáticas e energéticas.
Dia 1 — 11 de agosto
9h00 – Cerimônia de abertura
11h00 – Plenária Principal – Biogás e biometano: diversificando a matriz e fortalecendo a segurança energética
14h00 – “Mandato de biometano na Lei Combustível do Futuro” e “Infraestrutura e logística do biometano”
16h00 – “Integração do biometano à política climática” e “Biometano nas cidades: mobilidade urbana e gestão de resíduos”
Dia 2 — 12 de agosto
09h00 – “CGOB: regulação e operacionalização” e “Valorização do digestato e economia circular”
11h00 – “Os benefícios tributários ao longo da cadeia do biogás e biometano” e “Biometano no transporte de carga”
14h00 – “Biometano na abertura do mercado de gás” e “Descentralização do biogás: pequenos projetos, inclusão social e sustentabilidade socioambiental”
15h30 – “Desenvolvimento tecnológico, eficiência operacional e segurança na cadeia de valor do biogás” e “Diversificação dos usos do biogás”
Patrocínio e apoio institucional
O 13º Fórum do Biogás tem a Orizon como patrocinadora Master e a Solví como patrocinadora Diamante, além de patrocinadores nas categorias Ouro e Prata e do apoio institucional de entidades como CIBiogás, APINE, Amplum Biogás, ACATE, Rede Mulheres do Biogás, COGEN e EMBRAPII, entre outras.
Inscrições
As inscrições para o 13º Fórum do Biogás já estão abertas. O Ingresso Padrão está no Lote 3, a R$ 1.690,00, válido até 12 de agosto, com acesso aos conteúdos dos dois dias, à área de exposição e ao certificado digital de participação. Associados da ABiogás contam com valor especial de R$ 990,00, mediante solicitação de código de desconto. Há ainda o Ingresso VIP, em lote único de R$ 4.900,00, com acesso integral aos dois dias, entrada exclusiva na sala de palestrantes, acesso à área de imprensa e kit personalizado do evento.
Serviço
Data: 11 e 12 de agosto de 2026
Local: São Paulo Expo – Rod. dos Imigrantes, Km 1,5 – Vila Água Funda, São Paulo/SP – CEP 04329-900
Inscrições e informações completas: www.forumdobiogas.com.br
Crédito Imagem: ABiogás