O açúcar brasileiro exportado para os Estados Unidos dentro do regime de cotas ficou de fora da nova sobretaxa de 12,5% aplicada pela administração de Donald Trump a outros produtos. A informação é do presidente-executivo da Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio), Renato Cunha, a partir de decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) desta quinta-feira (23).
Desta forma, o açúcar exportado para os EUA no âmbito da cota estará sujeito apenas à tarifa anterior, de 25%, e somente o que eventualmente for embarcado além da cota pagará 37,5% de tarifa. A cota é operada exclusivamente por usinas do Norte e do Nordeste, segundo a Lei nº 9.362/1996, que reserva a essas regiões a exportação de derivados de cana para mercados preferenciais.
Por outro lado, no mesmo despacho, o USTR cortou de 156 mil toneladas para 100 mil a parcela brasileira na cota tarifária a partir do ano fiscal 2027, que começa em outubro. “Esta redução pode ser duradoura ou momentânea, o volume pode voltar para o Brasil ou ainda ser distribuído entre os outros 38 países contemplados no regime de cotas. É uma medida que alimenta o vaivém de imprevisibilidade, que ao final do dia provoca toda sorte de desarranjos no segmento da cana. Vamos acompanhar os desdobramentos”, assinala Cunha, que também preside o Sindicato dos Produtores do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco, o Sindaçúcar-PE.
Etanol
No caso do etanol, os Estados Unidos demonstram que querem ter livre acesso ao mercado brasileiro sem contrapartidas. “Os EUA têm excesso de etanol, seja porque não avançam no aumento da mistura na gasolina, bem como pela força da indústria petrolífera local, e almejam mudar este quadro querendo vender o biocombustível para o Brasil, que não tem necessidade alguma de importar”, explica o presidente-executivo da NovaBio.
“A grande verdade é que nossas exportações de açúcar permanecem sujeitas a cotas, e os EUA ainda querem exportar etanol para nós com isenção. Isso acaba não sendo uma negociação, mas sim imposição”, acentua Cunha, que encerra: “o protecionismo não parte de nós, e sim deles, haja vista que além de nossas exportações de açúcar serem sujeitas a cotas, eles ainda reduziram o volume do próximo ciclo de 156 mil toneladas para 100 mil”.
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