Quem abastece o carro na cidade de São Paulo pode economizar até R$ 45 ao escolher um posto em um distrito diferente. Levantamento da Veloe, elaborado com apoio técnico da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), mostra que a localização do posto pode fazer uma diferença significativa no valor pago pelo motorista. A disparidade chega a 21,4% no diesel S-10, 18,8% no etanol e 13,4% na gasolina comum.
O estudo utilizou informações amostrais dos preços dos três combustíveis coletadas ao longo dos últimos três meses (abril, maio e junho de 2026). Os dados mostram o desvio do preço médio cobrado em cada distrito em relação à média da capital paulista.
Na prática, abastecer em regiões como Morumbi, Bela Vista, Jardim Paulista e Perdizes pode pesar mais no bolso do motorista do que procurar postos em áreas como Pari, Campo Limpo, Cangaíba e São Mateus.
A gasolina comum foi comercializada, em média, por R$ 6,55 o litro em junho. A diferença entre o distrito com o maior e o menor desvio médio chegou a R$ 0,82 por litro. Para um tanque de 55 litros, isso representa uma diferença de até R$ 45.
No etanol, cujo preço médio foi de R$ 4,09 por litro, a distância entre os extremos chegou a R$ 0,72 por litro. Para completar um tanque de 55 litros, a diferença pode chegar a R$ 39,80.
Já o diesel S-10 apresentou a maior dispersão entre os combustíveis analisados. O preço médio na capital foi de R$ 7,09 por litro, mas a diferença entre os distritos mais caro e mais barato alcançou R$ 1,42 por litro. Para um abastecimento de 150 litros, a economia pode chegar a R$ 212,70.
“Em uma cidade do tamanho de São Paulo, o motorista pode encontrar diferenças relevantes de preço sem necessariamente precisar percorrer grandes distâncias. Para quem abastece com frequência, entender essa dinâmica territorial ajuda a tomar decisões mais econômicas e a planejar melhor os gastos com mobilidade”, afirma Mauro Kondo, superintendente de Negócios B2B na Veloe.
Onde abastecer custa mais
O levantamento mostra que alguns dos distritos mais valorizados e com maior concentração de atividade econômica aparecem com frequência entre aqueles que cobram mais pelos combustíveis.
Na gasolina, o Morumbi lidera a lista, com preço médio 6,1% acima da média municipal. Na sequência aparecem Bela Vista (+5,6%), Jardim Paulista (+5,1%), Perdizes (+3,6%) e Mooca (+3,5%).
No etanol, a diferença é ainda mais expressiva. O Morumbi aparece novamente na liderança, com preços 11,9% acima da média da cidade, seguido por Jardim Paulista (+11,2%), Perdizes (+8,1%), Barra Funda (+6,2%) e Bela Vista (+6%).
No diesel S-10, a Bela Vista registra o maior desvio positivo, de 13,3%. Depois aparecem Morumbi (+10,2%), Alto de Pinheiros (+9,4%), Mooca (+7,4%) e Jabaquara (+5,6%).
A recorrência de Morumbi e Bela Vista entre os distritos mais caros nos três combustíveis chama atenção. A análise da Fipe aponta que fatores como custos de localização, perfil socioeconômico de quem mora, trabalha ou circula nessas regiões e estratégias comerciais podem ajudar a explicar o comportamento, embora não seja possível atribuir as diferenças a uma única causa.
Os distritos mais vantajosos
Na outra ponta, os preços mais baixos aparecem em diferentes regiões da cidade, com destaque para áreas mais afastadas do Centro e da Zona Oeste.
Na gasolina, os menores preços relativos foram registrados em:
- Pari (-6,4%)
- Campo Limpo (-3,2%)
- Cangaíba (-3,1%)
- São Mateus (-3%)
- Jaguara (-3%)
No etanol, o ranking é liderado por:
- Brasilândia (-5,8%)
- República (-5,7%)
- Pari (-5,5%)
- Freguesia do Ó (-5,4%)
- Cidade Dutra (-5,2%)
Já no diesel S-10, os menores desvios ficaram com:
- Capão Redondo (-6,7%)
- São Domingos (-6%)
- José Bonifácio (-5%)
- São Mateus (-4,9%)
- Jaguara (-4,1%)
O Jaguara é o único distrito que aparece entre os cinco mais baratos nos três combustíveis. Pari também se destaca, figurando entre os menores desvios da gasolina e do etanol. São Mateus aparece entre os mais vantajosos para gasolina e diesel.
Por que alguns distritos são mais caros?
A dispersão dos preços foi maior no diesel S-10 e no etanol do que na gasolina comum. Para a Fipe, o comportamento sugere a influência combinada de diferentes características de cada região, como custos imobiliários e operacionais, perfil da demanda, concorrência, escala de vendas, logística e estratégias comerciais.
Morumbi e Bela Vista aparecem entre os distritos com preços relativamente mais altos nos três combustíveis. A Mooca também se destaca na gasolina e no diesel, enquanto Jardim Paulista e Perdizes aparecem entre os mais caros para gasolina e etanol.
Segundo a análise, a composição do público que vive, trabalha ou circula por cada distrito pode influenciar a estratégia de preços dos postos. Programas de fidelidade, bandeiras, serviços de conveniência e políticas de margem também ajudam a explicar por que estabelecimentos que vendem o mesmo combustível podem cobrar valores diferentes dentro de uma mesma cidade.
Na outra ponta, os preços relativamente mais baixos apresentam maior dispersão geográfica, embora haja concentração de alguns distritos mais afastados do Centro e da Zona Oeste. A presença de Pari entre os mais baratos para gasolina e etanol e de Jaguara nos três combustíveis pode estar relacionada a diferenças na concorrência, escala de vendas, acesso logístico e composição dos postos.
O levantamento, no entanto, não permite afirmar que um desses fatores isoladamente seja responsável pelos preços praticados. A análise também chama atenção para uma particularidade do diesel S-10. Como a cobertura territorial desse combustível é mais restrita, diferenças no tamanho e na composição da amostra de cada distrito podem ter maior impacto nos resultados. A metodologia considera a média dos preços observados nos três meses, o que reduz a influência de oscilações pontuais, mas não elimina as diferenças entre as amostras locais.
“O consumidor nem sempre tem visibilidade sobre o quanto o preço pode variar de uma região para outra. A ideia de acompanhar esses dados é justamente ampliar essa informação e mostrar que, principalmente para quem usa o veículo todos os dias ou administra uma frota, comparar preços e planejar o abastecimento pode fazer diferença no orçamento”, diz Kondo.
Para os motoristas, o levantamento reforça que o preço exibido na bomba é resultado não apenas das oscilações do mercado de combustíveis, mas também das características de cada região. Em uma cidade extensa como São Paulo, uma pesquisa antes de abastecer pode representar uma economia relevante — especialmente para quem percorre grandes distâncias ou abastece com frequência.
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