Empresas de energia e óleo e gás transformam dados em inteligência

A transformação digital nos setores de energia e óleo e gás avança e passa a reorganizar a forma como dados, pessoas e processos se conectam. Ainda que em contextos diferentes, a engenharia de projetos, a contabilidade de produção e a operação de ativos críticos partem de desafios semelhantes como informações dispersas, alto esforço manual, necessidade de maior confiabilidade e pressão por decisões mais rápidas. Ao estruturar plataformas integradas, orientadas a dados e com maior rastreabilidade, empresas como Petrobras, Acelen e Jirau mostram uma tendência comum de transformar grandes volumes de informação operacional em inteligência aplicada, reduzindo retrabalho, ampliando a governança e fortalecendo a eficiência, a previsibilidade e a segurança das operações industriais.

Os resultados de três cases apresentados no Aveva Day Brasil 2026, realizado em São Paulo, apontam para ganhos concretos e mensuráveis em produtividade, confiabilidade e governança. Na Petrobras, a engenharia unificada demonstrou potencial para reduzir significativamente o tempo de execução dos projetos, as RFIs (Solicitação de Informação) e o retrabalho. Na Jirau Energia, a organização inteligente dos dados operacionais acelerou a identificação de anomalias e fortaleceu a manutenção preditiva dos ativos, e, na Acelen, a automação da contabilidade de produção reduziu em 48 horas o fechamento mensal e ajudou a ampliar a consistência das informações para decisões técnicas, comerciais e regulatórias.

“Esses são alguns exemplos de iniciativas que estão demonstrando como a digitalização bem estruturada gera impacto direto sobre a eficiência operacional, a qualidade das decisões e a capacidade das empresas de responderem com mais rapidez, segurança e precisão aos desafios de seus negócios atuais”, afirma Cláudio Muller, diretor de Vendas da AVEVA no Brasil, ao ressaltar que estas iniciativas estão aumentando a resiliência das empresas de Óleo & Gás para lidarem com cenários influenciados por questões climáticas e geopolíticas.

A Petrobras avança em sua jornada de transformação digital ao adotar a AVEVA Unified Engineering como plataforma para integrar disciplinas, dados e entregáveis de engenharia em um ambiente único e colaborativo. O case apresentado no AVEVA Day demonstra a evolução de um modelo tradicional, centrado em documentos, para uma abordagem orientada a dados, capaz de conectar informações 1D, 2D e 3D, e apoiar decisões mais rápidas e consistentes ao longo do ciclo de vida dos projetos.

O principal desafio da Petrobras estava na complexidade de projetos de modernização e de ampliação em unidades industriais maduras, com décadas de operação, bases legadas heterogêneas e informações distribuídas entre diferentes ferramentas, documentos e disciplinas. Nesse cenário, a ausência de uma fonte única e confiável elevava o esforço de conferência, aumentava o risco de inconsistências e consumia tempo relevante das equipes com controles manuais, revisões cruzadas e atividades administrativas, em vez de engenharia conectada.

Com a AVEVA Unified Engineering, a empresa passou a estruturar fluxos multidisciplinares mais integrados, com padronização de dados, propagação automática de informações e maior visibilidade sobre inconsistências entre disciplinas. Os resultados percebidos na prova de conceito apontam ganhos expressivos de eficiência, incluindo redução de aproximadamente 50% no tempo de execução do projeto, queda de 30% a 40% nas RFIs e diminuição de cerca de 20% em retrabalhos, reforçando o potencial da engenharia unificada para acelerar entregas, mitigar riscos e aumentar a qualidade dos projetos industriais.

 

De rotinas manuais a estrutura automatizada

Já a Acelen, que implementou o AVEVA Production Accounting na Refinaria de Mataripe, apresentou os resultados da integração entre operação industrial, medição e fechamento comercial. A iniciativa transformou um processo antes baseado em rotinas manuais em uma estrutura automatizada, rastreável e auditável de contabilidade de produção, capaz de oferecer uma visão única e confiável do balanço de massa da refinaria.

Entre os principais desafios enfrentados estavam a complexidade operacional da maior refinaria em operação no Brasil; as divergências entre volumes recebidos, medidos e reconciliados; a baixa consistência física global e a necessidade de reduzir retrabalhos no fechamento mensal. Com o uso do AVEVA Production Accounting, a companhia passou a conectar dados operacionais, medições de campo, movimentações e informações comerciais em uma base integrada, fortalecendo a governança, a rastreabilidade dos desvios e a tomada de decisão técnica.

Como isso, a Acelen reduziu em 48 horas o prazo de realização e divulgação do fechamento mensal, identificou discrepâncias relevantes no recebimento de petróleo e no envio de produtos ao terminal, e passou a contar com indicadores mais consistentes para manutenção, planejamento, controladoria e conformidade regulatória. “O projeto reforça o papel do AVEVA Production Accounting como plataforma estratégica para transformar dados industriais em governança de desempenho, eficiência operacional e maior segurança nos processos de decisão”, destaca Cláudio Muller.

 

Agilidade, padronização e previsibilidade na identificação de anomalias

Na Usina Hidrelétrica Jirau, quarta maior geradora de energia elétrica do País em capacidade instalada, foi estruturado um modelo de gestão de anomalias apoiado no AVEVA PI System. A iniciativa consolidou milhares de sinais operacionais em uma camada inteligente de monitoramento, permitindo que dados antes dispersos em sistemas e análises manuais passassem a ser organizados, contextualizados e apresentados de forma visual para apoiar decisões de Engenharia, Performance e Manutenção.

O principal desafio enfrentado pela operação estava no volume e na complexidade das informações geradas pelas 50 unidades geradoras da usina. Com mais de 12 mil sinais de campo e centenas de sensores por unidade, a investigação da causa raiz dependia de análises exploratórias demoradas, reativas e pouco escaláveis. A adoção do PI Asset Framework, do PI Asset Analytics, dos Event Frames e dos painéis em PI Vision permitiu transformar esse ambiente em uma arquitetura orientada ao ativo, com lógica de correlação, scorecards e navegação hierárquica para diagnóstico dirigido.

Como resultado, Jirau ganhou agilidade, padronização e previsibilidade na identificação de anomalias, reduzindo o tempo dedicado à busca manual de evidências e acelerando a confirmação de hipóteses técnicas. A empresa demonstrou como o AVEVA PI System deixou de ser apenas um repositório de dados para atuar como uma plataforma de inteligência operacional, capaz de antecipar falhas, qualificar a tomada de decisão e fortalecer a confiabilidade dos ativos em uma operação crítica para o sistema elétrico brasileiro.

 

Imagem gerada por IA

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