Combate ao crime é tema de palestra na ExpoPostos & Conveniência 2026

A 22ª edição da ExpoPostos & Conveniência encerrou sua programação em São Paulo reunindo os principais atores da cadeia de combustíveis, conveniência, mobilidade e serviços do país. Realizado entre os dias 8 e 10 de setembro, o evento ocupou uma ampla área de exposição com mais de 250 marcas e alcançou um público recorde de aproximadamente 30 mil profissionais, entre proprietários de postos, distribuidores, fornecedores e gestores do setor.

Além de apresentar inovações em eletromobilidade, inteligência artificial e serviços para lojas de conveniência, a feira teve como ponto focal os debates sobre a gestão, modernização e segurança jurídica do abastecimento nacional. O destaque da programação do Fórum foi o painel “Como combater as irregularidades no mercado de combustíveis?, que reuniu lideranças de órgãos reguladores, entidades setoriais e da indústria.

Tecnologia e Inteligência de Dados a Serviço da Fiscalização

O debate evidenciou a transição da fiscalização tradicional para modelos baseados em inteligência de dados, diante da sofisticação do mercado ilegal. Júlio Nishida, superintendente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), destacou a necessidade de otimizar a máquina pública diante dos mais de 175 mil agentes regulados no país.

“Fazer concurso para 45 mil fiscais não é o melhor uso do dinheiro público. A estratégia da ANP foi modernizar a fiscalização focando em produtividade e parcerias.” Nishida explicou como funciona o Sistema Integrado de Fiscalização do Abastecimento, que utiliza inteligência de dados para calcular a probabilidade de irregularidades por posto ou distribuidora. Desta forma ele desenha uma fiscalização mais assertiva.

Nishida também revelou o uso iminente de inteligência artificial nos processos administrativos: “Julgamos cerca de 5 mil processos sancionadores por ano. Com I.A., poderemos realizar esse volume em um décimo do tempo ou com um décimo da equipe, liberando servidores para a atuação em campo.”

Pelo lado do INMETRO, Marcelo Moraes apontou para a evolução técnica dos testes no combate às fraudes eletrônicas em bombas medidoras. “O controle metrológico de bombas acontecia da mesma forma há 40 anos. Mas a bomba mudou e o fraudador se modernizou. Não basta mais o teste tradicional com o galão padrão. Estamos investindo em especialização e novas tecnologias de criptografia para combater fraudes eletrônicas.”

Equilíbrio entre Volume e Qualidade

Representando a indústria de equipamentos, o presidente da ABIEPS, Cristian Bazaga, ressaltou que as fraudes no setor estão divididas de forma quase simétrica entre desvios de volume e adulteração de produto.“A fraude ocorre tanto na quantidade quanto na qualidade — cerca de 55% de irregularidades em quantidade e 45% em qualidade. A indústria atua para estar pelo menos um passo à frente do fraudador, trazendo tecnologias capazes de automatizar a testagem e garantir segurança ao consumidor final.”

Já Carlo Faccio, do Instituto Combustível Legal (ICL), defendeu que o combate efetivo exige o fortalecimento dos mecanismos de constrangimento e punição ao mau agente. “O ICL já fundamentou denúncias que resultaram no flagrante de mais de mil postos por fraude em seis anos. Não é sorte, é competência e inteligência integrada. Precisamos gerar constrangimento para quem erra e reconhecer o mérito do bom revendedor.”

A dimensão econômica e concorrencial das irregularidades foi abordada por Abel Leitão, presidente-executivo da Brasilcom, entidade que representa 51 distribuidores regionais. “Para um distribuidor regional, ter ao lado um fraudador com vantagem competitiva desleal destrói o negócio. O combate exige rigor isonômico. A Operação Carbono  foi um marco histórico de inteligência integrada ao seguir o dinheiro até fintechs e operadoras financeiras.”

Leitão alertou ainda para a urgência da aprovação da monofasia tributária para o etanol hidratado e a manutenção de recursos para os órgãos de controle: “É péssimo esse modelo de parada e retomada por cortes orçamentários na fiscalização. A agência precisa de previsibilidade.”

Representantes do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) reforçaram a necessidade de aplicar rigorosamente a legislação criminal vigente, como a Lei 8.176/91, e avançar nos Projetos de Lei 109 e 399/1482 para enrijecer as penas contra o roubo, a sonegação e o devedor contumaz.

Ao encerrar a 22ª edição, a ExpoPostos 2026 consolidou o diagnóstico de que o enfrentamento ao crime no setor de combustíveis exige ação coordenada entre governo e iniciativa privada. A combinação de novas legislações, inteligência artificial e rastreamento financeiro despontam como o caminho para assegurar um mercado ético, competitivo e seguro para o consumidor brasileiro.

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