Os biocombustíveis são um dos pilares mais sólidos e imediatos da transição energética no Brasil. Em um cenário global de descarbonização, especialmente em setores de difícil eletrificação, como o de transporte pesado, alternativas como o biodiesel se consolidam como soluções viáveis e escaláveis. Com o avanço da indústria ligada ao seu processamento, a soja assume um papel estratégico na expansão sustentável da produção no país.
De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia (MME), o setor deve movimentar R$ 1 trilhão entre 2025 e 2034, com uma demanda de 16,7 bilhões de litros. Com forte vocação agrícola e safras recordes de soja, o Brasil tem ampliado sua relevância ao integrar produção no campo, capacidade de processamento industrial e distribuição energética, consolidando um modelo eficiente que incentiva a geração de valor na cadeia agrícola e fomenta a atividade econômica.
Pioneira na produção de biodiesel, com atuação no país desde 2007, a ADM, líder global em comercialização de grãos, insumos, nutrição humana e animal, atende mais de 70 bases de distribuição em 17 estados. O biodiesel é 100% proveniente de óleo de soja e produzido em duas unidades fabris, em Rondonópolis (MT) e Joaçaba (SC).
“Como atuamos de forma integrada na conexão entre as pontas da cadeia, desde a originação até a comercialização, conseguimos ver o ciclo todo da soja e como ela possui um potencial competitivo de contribuir para a descarbonização no setor energético. Em 2025, superamos a marca de 5,4 milhões de toneladas de soja processadas no Brasil, recorde histórico. Transformamos parte de nosso processamento de soja em biodiesel destinado a grandes distribuidoras, contribuindo para o fechamento de um ciclo econômico sustentável que movimenta a safra brasileira”, destaca Rodrigo Nascimento, diretor de Óleos e Biodiesel da ADM.
Descarbonização com soluções viáveis
Diferentemente de outras alternativas energéticas, os biocombustíveis oferecem uma vantagem relevante: podem ser utilizados na infraestrutura já existente, com pouca ou nenhuma adaptação. Isso permite uma transição mais rápida e menos custosa, aproveitando redes logísticas e sistemas de abastecimento já consolidados, especialmente no Brasil, onde o modal de transporte é dominado por rodovias. O uso de biodiesel já é uma realidade no transporte rodoviário de cargas, indicando que o Brasil está em um caminho maduro para reduzir emissões sem comprometer a eficiência logística.
“O Brasil reúne condições únicas para liderar a agenda de energia limpa. Conta com uma capacidade de processamento de soja robusta, assim como de outros insumos utilizados para a produção de biocombustíveis, mandatos claros para mistura, incluindo metas futuras para SAF a partir de 2027 e a estruturação do RenovaBio, que incentiva a rastreabilidade, além de melhorias operacionais na produção. A soja terá um papel fundamental nesse processo, seja para combustíveis mais avançados, biodiesel no transporte terrestre e até marítimo”, reforça Rodrigo.
O RenovaBio, em especial, tem impulsionado melhorias na rastreabilidade da produção, com marco regulatório a partir de 2017, além de estimular o mercado de créditos de descarbonização (CBIOs). O mecanismo fortalece produtores comprometidos com práticas sustentáveis e agrega valor à cadeia. “O programa tem contribuído para os avanços em eficiência produtiva e em rastreabilidade, abrindo caminho para a certificação dos biocombustíveis e gerando confiabilidade na origem sustentável dos insumos. Existe um caminho para a evolução e o mercado de CBIOs está se tornando um incentivo para a compra de produtos com práticas sustentáveis”, explica Rodrigo.
Exigências crescentes e novas oportunidades
Embora o mercado brasileiro ainda tenha menor nível de exigência em comparação ao europeu, a tendência global aponta para critérios mais rigorosos, especialmente relacionados à intensidade de carbono e à rastreabilidade. Isso abre oportunidades para empresas que investem em certificações e transparência. Nesse cenário, a soja brasileira ganha ainda mais relevância, não apenas como base para o biodiesel no transporte terrestre, mas também como potencial insumo para combustíveis avançados, incluindo aplicações no setor marítimo e na aviação.
“Ao conectar o campo à indústria e ao cliente final, temos uma visão clara na ADM a respeito da integração de toda a cadeia e das oportunidades de mercado. O que podemos afirmar é que a expansão do biodiesel e o avanço de políticas públicas colocam o Brasil em posição privilegiada para liderar uma transição energética pragmática, baseada em ativos já consolidados e com alto potencial de crescimento”, finaliza.
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