Interesse de mulheres por mecânica básica cresce e amplia busca por autonomia no trânsito

O interesse de mulheres por conhecimentos básicos de mecânica automotiva tem crescido nos últimos anos, impulsionado pela busca por mais autonomia na condução e na manutenção dos veículos. O movimento acompanha o aumento da participação feminina no trânsito e reflete uma demanda por informações que, historicamente, estiveram mais restritas ao público masculino.

Segundo a idealizadora da comunidade Dona do Meu Destino, Vittória Gabriela, o perfil das participantes mudou desde a criação da iniciativa. Se, inicialmente, a maior parte das mulheres procurava o curso após enfrentar situações como panes, dificuldades em oficinas mecânicas ou dúvidas na compra de um veículo, atualmente cresce o número de interessadas que buscam aprender de forma preventiva.

“Antes, muitas chegavam porque haviam passado por algum problema. Hoje, vemos mulheres que querem entender o funcionamento do carro antes que qualquer imprevisto aconteça”, afirma.

Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) mostram que o Brasil possui mais de 30 milhões de mulheres habilitadas, o equivalente a cerca de 36% dos condutores do país. Apesar desse crescimento, o acesso ao conhecimento técnico sobre veículos ainda é considerado limitado.

Na avaliação de Vittória, existe uma demanda reprimida por esse tipo de aprendizado. “Durante muito tempo o universo automotivo foi tratado como um espaço masculino. Muitas mulheres cresceram acreditando que esse conhecimento não era para elas”, diz.

O público interessado é diversificado e reúne desde motoristas recém-habilitadas até mulheres que passaram a assumir sozinhas a responsabilidade pelo veículo da família. As motivações também variam conforme a fase da vida. Enquanto as mais jovens costumam buscar conhecimento desde o início da experiência como motoristas, participantes mais experientes frequentemente relatam o desejo de conquistar independência após mudanças na rotina familiar ou pessoal.

Entre as principais dúvidas apresentadas durante as aulas estão temas relacionados à manutenção preventiva, como interpretação das luzes do painel, calibragem dos pneus, troca de óleo, verificação dos fluidos e cuidados antes de viagens. Segundo Vittória, a maioria das participantes inicia o curso sem conhecimentos prévios sobre mecânica.

A criadora da comunidade afirma que situações negativas vividas em oficinas mecânicas também aparecem entre os principais fatores que levam mulheres a procurar esse tipo de capacitação. De acordo com ela, compreender conceitos básicos contribui para que motoristas consigam dialogar com mais segurança sobre orçamentos, identificar serviços necessários e reconhecer sinais de problemas mecânicos antes que eles se agravem.

Outro aspecto observado é a influência do ambiente de aprendizagem. Vittória avalia que espaços formados exclusivamente por mulheres tendem a reduzir o receio de fazer perguntas consideradas básicas, favorecendo a troca de experiências e o aprendizado.

A procura pelos cursos também tem aumentado. Conforme a organizadora, as primeiras turmas tiveram todas as vagas preenchidas rapidamente, e a comunidade reúne atualmente cerca de 890 mil seguidores no Instagram e 590 mil no TikTok. Além da alta demanda nas inscrições, ela relata o recebimento frequente de pedidos para realização de novas edições em outras cidades.

Segundo Vittória, já existem planos para ampliar a atuação da iniciativa por meio de um modelo itinerante, levando os cursos para diferentes regiões do país.

Para ela, o interesse feminino por temas relacionados à manutenção, mobilidade e novas tecnologias automotivas deve continuar crescendo nos próximos anos, acompanhando as transformações do setor e a participação cada vez maior das mulheres nas decisões relacionadas ao uso e à compra de veículos.

Foto: IA

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

CATEGORIAS