Tarifa dos EUA coloca petróleo no centro do debate econômico

A audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), realizada nesta segunda-feira (6), marca uma das etapas mais importantes antes da decisão sobre a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, prevista para 15 de julho. Embora a proposta atinja uma ampla lista de importações, a exclusão do petróleo e de outras commodities estratégicas muda significativamente a dimensão econômica da medida. “A audiência é o momento em que governo e setor produtivo tentam demonstrar quais serão os efeitos reais dessa tarifa. O fato de o petróleo permanecer fora da lista reduz o impacto imediato sobre a balança comercial brasileira e evita uma pressão ainda maior sobre a entrada de dólares no país”, afirma Cristian BazagaCEO da Excel, empresa líder em gerenciamento de combustível e gestão de frotas.

Na prática, uma tarifa de 25% significa que qualquer produto brasileiro exportado para os Estados Unidos ficaria 25% mais caro para o comprador americano. Isso reduz a competitividade do produto brasileiro, porque ele passa a competir com outros países em desvantagem de preço. Ao mesmo tempo, a exclusão do petróleo muda o peso da medida, já que o setor energético representa uma das maiores e mais estratégicas fontes de exportação do Brasil. “Na prática, uma tarifa de 25% funciona como um aumento artificial de preço no produto brasileiro dentro do mercado americano, o que faz o importador buscar alternativas mais baratas. Quando o petróleo fica fora disso, você evita um impacto muito maior na entrada de dólares no país e reduz o risco de desequilíbrio na balança comercial”, explica Cristian Bazaga.

O documento do USTR também se baseia na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, mecanismo usado para investigar práticas consideradas desleais no comércio internacional. Entre os pontos citados estão Pix, acordos comerciais e questões ambientais. “Esse tipo de investigação cria um ambiente de incerteza porque sinaliza que o comércio pode ser usado como ferramenta de pressão política, não só econômica”, avalia Cristian Bazaga.

Com a exclusão do petróleo, o impacto da tarifa tende a se concentrar em setores industriais e de maior valor agregado, como manufaturados e bens de transformação. Esses segmentos têm menos margem para absorver aumentos de custo. “A indústria sente mais porque não consegue simplesmente repassar esse aumento de 25% no preço final sem perder mercado, então a perda de competitividade é mais imediata”, diz o empresário.

Apesar de ainda ser uma proposta em análise, o mercado já reage ao risco de mudança nas regras do comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos. “Mesmo antes de virar decisão final, esse tipo de anúncio já força empresas e investidores a recalcular riscos, contratos e projeções de exportação”, conclui.

 

Crédito Imagem: Freepik

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