A eletrificação das frotas de mobilidade por aplicativos no Brasil acelera, embora ainda represente uma parcela minoritária dos veículos em operação. Um levantamento da Machine, com dados de 2024 a 2026, mostra que híbridos e elétricos saltaram de pouco mais de 2% para mais de 6% da frota ativa, enquanto a participação desses modelos entre os novos veículos passou de 7% para mais de 20%. O crescimento indica que a transição energética já começou e tende a se intensificar na próxima década.
Apesar do aumento nas aquisições, a renovação completa da frota ocorre de forma gradual. Os veículos permanecem em operação por vários anos, o que cria um intervalo entre o momento em que os eletrificados passam a dominar as novas compras, previsto para 2031, e o ponto em que se tornam maioria no total da frota, estimado para 2038. A dinâmica evidencia que a transformação é tanto tecnológica quanto comportamental, refletindo padrões reais de uso e substituição.
O estudo considerou mais de mil combinações de modelos e anos de veículos ativos em diferentes regiões do país, permitindo identificar padrões concretos de entrada de novos carros e de renovação da frota. A análise mostra que a adoção de veículos eletrificados não é uniforme: regiões com incentivos econômicos e infraestrutura de recarga mais desenvolvida apresentam maior penetração, enquanto outras avançam de forma mais lenta, impactando a velocidade da transição em escala nacional.
Para o setor, essa evolução representa um desafio estratégico. “A aceleração da eletrificação exige que aplicativos e motoristas se adaptem não apenas à tecnologia, mas também a novos modelos de operação e custos, que envolvem manutenção, recarga e gestão de frota. A transformação, portanto, envolve tanto a oferta de veículos quanto a adaptação da operação e do mercado de trabalho associado”, afirma Júlia Camossa, estatística responsável da Machine.
No longo prazo, o avanço de híbridos e elétricos nas frotas de aplicativos reflete uma mudança estrutural na mobilidade urbana brasileira. A eletrificação não apenas acompanha tendências globais de sustentabilidade, mas também redefine padrões de operação, custos e competitividade, consolidando-se como fator determinante para a composição das frotas e para a atração de usuários e motoristas nos próximos anos.
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