A confiança dos empresários do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) em São Paulo atingiu o menor nível desde o início da série histórica do Índice CNT de Confiança do Transportador Rodoviário de Cargas (ICT), iniciada em 2023. Os dados, divulgados pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) em parceria com a Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP), apontam um setor pressionado pela combinação de juros elevados, aumento dos custos operacionais, insegurança regulatória e desaceleração da atividade econômica.
O levantamento mostra que o Índice Geral de Confiança recuou para 41,2%, permanecendo abaixo da linha de neutralidade (50%) e registrando queda de 4,7 pontos percentuais em relação ao segundo semestre de 2025.
O dado mais preocupante, entretanto, está no Índice de Condições Atuais, que despencou para 28,9%, o menor resultado desde a criação da pesquisa. O indicador caiu 5,4 pontos percentuais em relação ao semestre anterior e 8,3 pontos percentuais na comparação com o primeiro semestre de 2025, evidenciando uma deterioração significativa da percepção dos empresários sobre o ambiente de negócios.
Na avaliação da FETCESP, os números refletem a realidade de um setor responsável por movimentar aproximadamente 65% de todas as cargas transportadas no Brasil, que enfrenta simultaneamente o aumento dos custos operacionais, dificuldades de acesso ao crédito, escassez de motoristas profissionais e um ambiente regulatório cada vez mais complexo.
“É preciso criar condições mais adequadas para quem gera emprego, movimenta a economia e garante o abastecimento do país. Se não houver mudanças na condução da política fiscal, no ambiente regulatório e na redução dos custos operacionais, essa tendência de baixa confiança tende a se agravar.”, afirma Carlos Panzan, presidente da FETCESP.
Entre os cinco estados avaliados pela CNT, São Paulo apresentou o menor índice geral de confiança. Para a FETCESP, esse cenário é resultado da soma de desafios que vêm se acumulando ao longo dos últimos meses. Além da necessidade de adaptação às novas exigências regulatórias implementadas em 2026, as transportadoras seguem enfrentando a alta do diesel, a defasagem dos valores do frete, o déficit de motoristas profissionais e as incertezas relacionadas às discussões sobre mudanças na legislação trabalhista e à implementação da Reforma Tributária.
Apesar do cenário adverso, a pesquisa também identifica uma expectativa menos pessimista para os próximos meses. O Índice de Expectativas alcançou 47,4%, permanecendo abaixo da linha de neutralidade, mas acima do indicador das condições atuais, sinalizando que parte dos empresários acredita em uma melhora gradual, desde que o ambiente econômico e regulatório ofereça maior estabilidade e previsibilidade.
Para a Federação, recuperar a confiança do setor será fundamental para estimular investimentos em renovação de frota, inovação tecnológica, ampliação da capacidade operacional e geração de empregos, fortalecendo a competitividade de um segmento essencial para o abastecimento da população e o desenvolvimento econômico do país.
“A confiança do empresário é um dos principais indicadores da disposição para investir, renovar a frota, contratar profissionais e ampliar a capacidade operacional. Quando esse índice permanece abaixo da linha de confiança, o recado é claro: o setor enxerga um ambiente de negócios mais difícil e tende a adotar uma postura mais cautelosa. Recuperar essa confiança passa necessariamente por maior estabilidade econômica, previsibilidade regulatória e medidas que reduzam os custos de quem movimenta a economia e garante o abastecimento do país.”, conclui Panzan.
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