O crescimento acelerado do mercado de delivery nos últimos anos vem transformando não apenas os hábitos de consumo dos brasileiros, mas também impulsionando setores que orbitam essa economia. Esse movimento fez com que o mercado de consórcios de motocicletas registrasse uma alta de 36,4% nos últimos cinco anos, segundo levantamento da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC).
A modalidade acompanha a necessidade desses profissionais, que dependem do veículo para gerar renda. Atualmente, o segmento reúne cerca de 3,24 milhões de participantes ativos, consolidando-se como uma das principais formas de aquisição de motocicletas no país. Dados da Bolsa de Valores Brasileira também mostram que o consórcio já responde por 35,6% de todas as aquisições financiadas de motocicletas zero quilômetro.
Segundo Cleber Gomes, CEO da Maestria, empresa especializada em consórcios e produtos financeiros para o mercado B2B, esse cenário vem mudando o perfil da população, que busca alternativas mais baratas que o financiamento:
“O entregador passou a enxergar a motocicleta como uma ferramenta de trabalho e encontrou no consórcio a possibilidade de adquirir esse bem de forma planejada, sem pesar no orçamento. A modalidade oferece uma alternativa muito mais sustentável do que linhas tradicionais de crédito, porque possibilita a aquisição ou substituição do veículo sem os juros elevados”, afirma.
De acordo com estudo do Cebrap, o Brasil conta com mais de 2,2 milhões de profissionais atuando em serviços de delivery, sendo cerca de 450 mil entregadores vinculados a plataformas digitais. Para esse público, a motocicleta deixou de ser apenas um meio de transporte e passou a representar um ativo essencial para geração de renda.
O executivo observa ainda que esse comportamento não se restringe aos entregadores por aplicativos. Pequenos empreendedores, motoboys, representantes comerciais e empresas que utilizam motocicletas em operações urbanas também vêm recorrendo ao consórcio como ferramenta de gestão patrimonial.
“Existe uma mudança importante na mentalidade do consumidor brasileiro. Antes, o consórcio era visto apenas como uma forma de comprar um bem. Hoje, ele é utilizado como instrumento de planejamento financeiro e crescimento profissional. Para quem depende da motocicleta para trabalhar, adquirir ou renovar esse patrimônio sem juros significa preservar margem de lucro e manter a competitividade do negócio”, conclui.
A tendência é que esse movimento continue nos próximos anos, acompanhando tanto a expansão da economia dos aplicativos quanto o fortalecimento dos modelos de trabalho autônomo. Nesse cenário, o consórcio deve seguir ocupando um papel estratégico para profissionais que precisam investir em mobilidade sem comprometer o fluxo de caixa.
Crédito Imagem: pvproductions no Magnific