A chegada das câmeras com inteligência artificial às rodovias do interior paulista representa uma mudança na lógica da fiscalização de trânsito. Se antes o controle eletrônico estava associado principalmente à velocidade, a tecnologia agora permite identificar comportamentos dentro dos veículos, como o uso do celular ao volante e a falta do cinto de segurança.
A partir deste 1º de setembro, um equipamento instalado na Rodovia Raposo Tavares (SP-270), na região de Presidente Prudente, passou a auxiliar a Polícia Militar Rodoviária na identificação dessas infrações. A câmera foi instalada pela Cart, concessionária responsável pelo trecho.
Para o Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), a expansão desse monitoramento pode aumentar a percepção de fiscalização e estimular mudanças de comportamento capazes de reduzir riscos nas estradas.
“Tecnologia aplicada à fiscalização precisa ter como principal resultado a prevenção. Se ela consegue fazer com que um motorista deixe o celular de lado, coloque o cinto e tenha uma condução mais responsável, estamos falando de uma ferramenta que pode ajudar a evitar acidentes e preservar vidas”, afirma José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, presidente do Sinaceg.
Para quem trabalha diariamente nas rodovias, o avanço tem importância particular. Motoristas profissionais dependem da própria condução responsável, mas também do comportamento dos milhares de condutores com quem compartilham as pistas.
No transporte de veículos zero quilômetro, realizado por caminhões-cegonha, essa preocupação é ainda maior. Trata-se de uma operação especializada, com veículos de grande porte, que exige atenção permanente e condições seguras de circulação durante todo o percurso.
“Quem trabalha diariamente nas estradas sabe que uma distração de poucos segundos pode provocar um acidente grave. O motorista profissional pode cumprir todas as normas e dirigir com responsabilidade, mas também depende da conduta de quem divide a rodovia com ele. Se a tecnologia ajuda a coibir o uso do celular e outras práticas perigosas, ela contribui para a segurança de todos”, afirma Márcio Galdino, diretor regional do Sinaceg.
Os números registrados em outras estradas mostram o alcance da tecnologia. No Rodoanel Mário Covas, 4.879 ocorrências foram identificadas em apenas 28 dias de monitoramento. Foram 2.420 registros de motoristas sem cinto, 1.440 de passageiros sem o equipamento e 1.019 de motoristas utilizando o celular durante a condução.
As câmeras utilizam imagens de alta definição e sistemas de processamento capazes de apontar indícios de infrações que radares convencionais não identificam. A inteligência artificial, porém, não aplica multas de forma autônoma. Os registros são utilizados como ferramenta de fiscalização, e a constatação da infração e a autuação seguem os procedimentos previstos pela legislação.
A tecnologia já está presente em outras rodovias paulistas e deve avançar pelo interior. Na Raposo Tavares, a Cart prevê ampliar o sistema para regiões como Assis e Ourinhos.
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